As tiras de fita crepe fechando buracos na rede, os gatos pingados na arquibancada de alguns bancos para três pessoas cada um e uma estrutura mínima indicam, ou ao menos sugerem, que o caminho para aqueles que se imaginam um dia disputando uma final de tênis em Roland Garros, o templo parisiense de saibro, será longo e muito suado.
Durante toda a semana passada, em Franca, 59 jovens tenistas se desdobraram em saques, aces, transversais e cortadas com a mesma vontade que os maiores campeões do Grand Slam. A diferença é que o torneio que reuniu atletas em fase de transição para o profissionalismo na cidade é a quarta divisão do tênis nacional. Tal qual em outros esportes pouco difundidos, nada de assédio da imprensa, prêmios em dinheiro, patrocínio de marcas milionárias.
Ainda na mesma comparação, apenas uma pequena fração desses meninos com idades entre 17 e 22 anos se tornará profissional de fato. Outra parte, menor ainda, entrará para o ranking dos 300, 200 melhores do mundo.
O leitor pode estar se perguntando se não haverá outro Guga ocupando os primeiros lugares nos pódios dos campeonatos mais disputados do mundo. A resposta pode ser: é possível, mas, ao menos para os próximos anos, improvável.
Disputas como as que aconteceram em Franca fazem parte do Cnip (Campeonato Nacional de Incentivo ao Profissionalismo), invenção da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) que não se repete em lugar nenhum do mundo. A razão de existir do Cnip está em lançar talentos e fazer com que os melhores jogadores disputem torneios nacionais e internacionais. As disputas entre os amadores, neste caso, vêm como adendo, uma espécie de incentivo e busca pela popularização do esporte no Brasil.
Se a terceira comparação com o futebol não for exagerada, dá para afirmar que, embora menores, torneios de transição são importantes para a manutenção e existência das categorias mais avançadas. Não há como abastecer campeonatos future e challenge de bons atletas se esses não passarem pelos jogos de transição.
E é nos dois primeiros que os participantes já começam a sentir o gostinho do profissionalismo, recebendo em dinheiro pelas vitórias - quase sempre em dólar - e garantindo pontos para a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.