PET... uso responsável


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A grande quantidade de garrafas PET irresponsável e criminosamente lançadas em rios, riachos, na rede de galerias pluviais e nos "lixões" e aterros sanitários tem rendido muita polêmica, prejuízo ecológico e atrasado a importante adoção desse tipo de vasilhame para novos setores do mercado. A discussão mais recente está na proibição da garrafa plástica para cervejas, já que seu uso é intensivo para os refrigerantes e outros líquidos antes acondicionados em vidros e latas. A adoção da PET mudou a logística de produção e distribuição de refrigerantes. Dispensadas de manipular o vasilhame de vidro, que representa 48% do peso da mercadoria e, depois do consumo têm de retornar à indústria para ser recarregado e cumprir novo ciclo, as fábricas, em razão disso, puderam ser ampliadas e atender a consumidores mais distantes, com significativos ganhos econômicos e de qualidade. Mesmo dando a embalagem agregada ao valor do produto, deixaram de arcar com o custo do transporte de retorno, da quebra durante a manipulação e do consumo de energia e água para a lavagem das garrafas já utilizadas. Existem muitos argumentos de defesa da garrafa PET que, no entanto, é considerada vilã pelos ambientalistas por ser um agente não degradável, que polui o ambiente quando irregularmente descartado. Vendo, a polêmica à distância, podemos observar que as objeções são colocadas quanto à destinação final, mas pouco se fala sobre uma política de descarte adequado e reciclagem das garrafas usadas. Em vez de se lutar pelo uso e encaminhamento responsável da mercadoria, adota-se o caminho mais curto da sinistrose e da proibição. Se for proibir a garrafa plástica simplesmente porque a atiram dentro dos rios e no subsolo, o País também teria de impedir a fabricação de pneus, de baterias e de tantas outras coisas que fazem o conforto da população, mas a falta de conscientização e de políticas de descarte e reciclagem leva ao problema ambiental. Informa-se a existência de 700 fabricantes de garrafas PET no Brasil e que a indústria de reciclagem já reprocessa mais da metade da produção e ainda opera com uma capacidade ociosa de 30%, podendo ampliar mais sua capacidade. Em vez de proibir, as autoridades deveriam estar atentas para a garantia de bom uso das garrafas em todo o seu ciclo de manipulação. Fiscalizar a indústria para seu emprego correto, fazer campanhas e (se necessário) punir o consumidor que fizer o descarte predatório e, principalmente, investir alto na política de coleta seletiva e reaproveitamento do plástico. Toda atividade econômica gera resíduos. Se não adotarmos as providências adequadas, corremos o risco de transformar o planeta numa grande e inabitável lixeira tóxica. Para evitar essa catástrofe, temos de cuidar do lixo. Jamais abrir mão de produtos e bens que, regularmente manipulados, trazem benefício à população... Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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