Tão combalido esta o sistema político nacional nas várias esferas de seus quadros, iniciando-se pelas câmaras municipais, transitando pelas assembléias dos Estados e congresso para chegar ao poder executivo que, se esperanças havia: acabou. À cada legislatura a desqualificação dos personagens se acentua flagrantemente para deslustre da honra, para mais se afastar de uma defesa do coletivo. O novo mundo político ensina com eficiência a artimanha, o individualismo com demanda de resultados particularizados.
Na semana que passou. em entrevista concedida aos repórteres Leandro Vaz e Edson Arantes, deste Comércio, o deputado federal Marco Aurélio Ubiali incorreu em nova escorregadela lamentável como a primeira de uma série – mudança de domicílio para Ribeirão – ainda não bem justificada, mas, gravada na consciência dos eleitores de Franca, cidade onde nasceu e viveu até ser eleito deputado federal.
Ao citar nominalmente Sidnei Rocha e Graciela Ambrósio, como adversários para a câmara federal, como sem chance, revela falta de tato político, confessando temê-los na disputa. A sugestão do nome de Sidnei para secretário de governo, seria da alçada do deputado Ubiali? Não se lhe conhece tal poder. Antecipa o deputado, mais de um ano antes das eleições proporcionais, debates e resultados do pleito a ferir-se em 2010, quem sabe, pelos conhecimentos da cartomancia de periferia nos segredos da bola de cristal ou manipular de surradas cartas de baralho.
Eleitores minimamente politizados e candidatos nas eleições proporcionais conhecem as dificuldades impostas pelas legendas em seu qualitativo numérico, possibilidades e riscos. É muito cedo para assustar concorrentes com derrota afiançando sua única e exclusiva vitória baseado no fato de já estar alojado em uma cadeira de deputado federal. Um mandato se repete com muito estorço e trabalho dedicado, assessoria de qualidade, presença em plenário e foco em assuntos de real importância para o País. Tem aumentado bastante o discernimento de eleitores quanto à rejeição de pretendidas reeleições e consequentemente as reformas nos legislativos.
Desencorajar candidaturas viáveis não faz parte de nossa cartilha de bons defensores do crescimento local, representativo e otimista. Acreditamos que Franca, ao ultrapassar 200 mil eleitores, adquiriu potencial para fazer três representantes na assembléia e dois deputados federais. Ao nobre deputado, liderança investida de poder, nos parece, caberia dever e responsabilidade de ajudar o ordenamento de regras para intentar os objetivos de emancipação política que tanto carecemos; entre ditas regras: a comunhão de ideais, a exclusão das ações vaidosas, despertamento de novas lideranças, união da comunidade em torno da idéia de ajuda mútua, entendimento de cidadania partidária com respeito ao principio filosófico de cada entidade.
Unicidade de desejos não constrói pois a pluralidade é democrática. Anular alguém por medo leva a insanidade e perda da razão.
Garcia Netto
Jornalista
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