Consertar o rabo torto de um cachorro, exigir a troca do celular que tomou um banho em uma panela de óleo ou até devolver a dentadura que machuca. Cada vez mais informada de seus direitos, a população não tem hesitado na hora de reclamar. Não mesmo. O número de reclamações no Procon (Proteção ao Consumidor) não para de crescer. Atualmente, são feitas 5 mil consultas por mês no posto de Franca. Em 2008, foram 40.783. Em apenas seis meses deste ano, o número já chegou a 31 mil.
A falta de assistência técnica, serviços não prestados, produtos adquiridos com defeitos ou erros em cobranças de financeiras, são as reclamações mais comuns, mas a criatividade dos consumidores surpreende os atendentes do posto da cidade. Há alguns meses, insatisfeita com o formato do rabo de seu cachorro, uma mulher queria receber indenização ou que a loja onde comprou o animal oferecesse a cirurgia de reparação. “Entramos em contato com a empresa, que lhe ofereceu outro animal. Mesmo assim, ela não quis porque já tinha se acostumado com ele”, disse José Antônio Guimarães, chefe do Procon.
Apegada ao cãozinho, contou Guimarães, a mulher decidiu ficar com o cachorro ainda que com seu pequeno “defeito”. A situação é uma entre as várias excêntricas que a instituição coleciona. Quando presencia esse tipo de reclamação, o Procon registra o caso apenas como simples consulta. “Há algumas queixas que não têm fundamento. Aí evitamos expor a empresa em nosso cadastro. Mas se for cabível, acompanhamos o caso de perto”, explica.
CASOS COMUNS
Apesar de atenderem a qualquer tipo de reclamação, as mais comuns ainda são as responsáveis pela maior parte do trabalho. Cerca de 30% das queixas são referentes a serviços prestados por instituições financeiras: cobrança por boletos bancários, parcelamentos de dívidas e juros indevidos. Desde janeiro, problemas do tipo geraram 9.430 registros. Na sequência, com 7.600 procuras, vem o setor de produtos. São reclamações sobre todo tipo de defeitos.
A professora aposentada Aparecida Helena Camargo foi uma das últimas a ter o problema resolvido pelo Procon de Franca. Ela comprou um fogão novinho, mas, quando ele chegou, estava todo enferrujado. “Depois de reclamar sem sucesso na empresa onde comprei, tive que recorrer a ajuda do Procon”, disse.
Depois de alguns contatos com a empresa, o Procon conseguiu a troca do produto. “Paguei R$ 1.670 no fogão, considerado de marca boa. Mas quando abri já estava enferrujado. Tive que exigir um novo. Graças a Deus consegui”, comemora.
“Seja qual for a classe social, os francanos têm lutado pelos seus direitos”, disse o chefe do Procon. Segundo ele, cerca de 80% dos casos que chegam à instituição são solucionados assim que a empresa envolvida é notificada. “Temos tido excelentes resultados. Caso não haja acordo, realizamos audiências de conciliação e, se persistir o problema, encaminhamos para a Justiça”, disse.
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