Nova Câmara Municipal tem ares de ‘déjà vu’


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O Poder Legislativo de Franca conta desde o início deste ano com oito novos integrantes. Depois de um semestre inteiro de atuação dos legisladores, o que se percebe é que a troca de mais da metade dos vereadores poderia ser uma significativa mudança na Câmara Municipal, mas não trouxe novidades. A idade média, a situação econômica e até o posicionamento político dos novos membros da Casa - que continuam na base de sustentação ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB) -, remontam o cenário formado por seus antecessores. Dados declarados ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) pelos próprios políticos confirmam a semelhança. No mandato de 2005 a 2008, a idade média dos vereadores era de 48 anos. Agora, de 49. Antes, sete tinham curso superior completo. O número subiu para oito. A quantidade dos que têm apenas o ensino fundamental se manteve em três. A sensação de reprise é ainda mais ampla. No PT (Partido dos Trabalhadores), Paulo Afonso Ribeiro assumiu a cadeira que antes pertencia à Gilson Pelizaro e passou a formar a dupla de oposição com o remanescente Silas Cuba. Como antes, a dupla é a maior interessada em frear o rolo compressor formado pela grande maioria de vereadores que aprova todas as medidas que Sidnei Rocha determina. Quase sempre, sem discussões profundas ou detalhes. O estreante Zezinho Cabelereiro (PTB), que preferia manter discrição máxima durante as sessões - passou seus quatro anos do mandato anterior sem se envolver em polêmicas e raramente subia na tribuna para discursar -, teve o posto ocupado por Oscar Luís Mercuri (PP). Nos seis primeiros meses desta legislatura, Mercuri fez apenas um discurso em público. Entre os mais experientes, Vanderley Tristão (PTB), que já foi vereador cinco vezes mas ficou fora nas eleições de 2004 por problemas de saúde, conseguiu voltar à Casa este ano. Sua posição independente, mesmo em um partido que faz parte do grupo que apóia o governo, tem muitas das características de seu precursor Luiz Carlos Fernandes. Eleito para seis mantados consecutivos, Fernandes preferiu se afastar em 2008 e não disputou as eleições daquele ano. “Não é porque sou do partido do prefeito que vou votar tudo o que ele quer”, disse em uma entrevista concedida ao Comércio no dia 3 de agosto de 2008. Para o professor de Ciências Políticas da Faculdade de Direito de Franca, Gualter Hughes, o cenário atual é de responsabilidade tanto dos eleitores quanto dos eleitos. “Nós temos de um lado o eleitor e, do outro, o candidato. Eu observo uma falha dos dois lados. A falta de opção entre os candidatos e o (pequeno) interesse do eleitor em eleger o melhor e cobrar do seu candidato as atuações prometidas”, disse.“Há quanto tempo não há uma mudança significativa no quadro político francano?”, questiona o professor. <B>PEQUENA DIFERENÇA</B> A diferença entre as duas Câmaras passa a ser menos sutil no quesito finanças. O novo grupo pode ser considerado mais rico. Quando somados, o valor dos bens declarados pelos vereadores eleitos ultrapassa R$ 5,5 milhões. A cifra é superior a apresentada pela legislatura anterior, de R$ 4,8 milhões. Mas a diferença é facilmente explicada pela eleição de Paulo Zamikhowsky (PSB). Ao se candidatar, o publicitário declarou o total de R$ 744 mil ao Tribunal. O montante só não é maior do que o declarado pelo presidente da casa Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), que tem bens avaliados em R$ 2,9 milhões.

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