O casal Nivelcina Souza dos Santos, 65, e Arlindo Nascimento dos Santos, 68, vivem os últimos dias no assentamento da Fazenda Boa Sorte, em Restinga. Foram 12 anos na casa de quatro cômodos no final de uma das ruas de chão batido da agrovila. Neste tempo, viram quatro filhos crescerem e irem embora atrás de melhores oportunidades. Com eles, ficou apenas Azor, 25. O casal ainda tem outros cinco filhos que não chegaram a morar no assentamento e vivem espalhados pelo Brasil.
Azor não vê a hora de se mudar para Franca, onde, segundo ele, tem mais movimento. O casal colocou à venda a casa e as benfeitorias. Um interessado já apareceu e o negócio deve ser fechado no início de agosto. Esse será o destino de outras nove famílias que resolveram, por motivos diversos, deixar o assentamento da Boa Sorte. A comercialização foi autorizada pelo Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) que acompanha toda a negociação.
Nivelcina disse que o começo não foi nada fácil. Passaram quatro meses em barracos de lona. “Quando a gente chegou, tinha muita cobra e até onça. Mesmo assim resolvemos ficar, mas vimos muita gente indo embora”, disse a dona de casa que no próximo mês ocupará uma casa de quatro cômodos no Jardim Luiza II. Arlindo disse que a família resolveu deixar a Boa Sorte por estar doente. “Tenho pressão alta e dores nas juntas. Não consigo mais trabalhar. Isso aqui é para quem é jovem”. Em Franca, a família viverá com a aposentadoria na expectativa de encontrar emprego.
Arlindo disse que não se arrepende de ter trocado o emprego de jardineiro pelo assentamento. “A nossa vida ficou melhor e meus filhos conseguiram estudar”.
Elisandra Vieira Ferreira, 32, participou da ocupação da Fazenda Boa Sorte junto com o marido. O casal trocou Ribeirão Preto por Restinga na esperança de conseguir melhorar de vida. Elisandra garante que deu certo. Construiu uma casa de quatro cômodos em um terreno de 3 hectares e comprou os móveis. Por um tempo, criou gado e hoje cultiva horta. Elisandra, que hoje mora com cinco filhos e um irmão, disse que só deixará a fazenda por ter ficado viúva há um ano. “Não consigo criar os meninos sozinha. Vou vender a casa e me mudar para Itapetininga (390 quilômetros de Franca) onde mora meu pai”.
As famílias não podem vender o terreno, só as benfeitorias. Pela casa, horta, pomar e cerca, Elisandra está pedindo R$ 51,8 mil. “A avaliação foi feita pelo Itesp”, afirmou. A agricultora está em negociação com um francano que já visitou a área. O negócio deve ser fechado em agosto. “Não vejo a hora de mudar”, disse a mulher que garante que foi feliz no assentamento. “Só estou indo embora porque não consigo trabalhar sozinha na lavoura”.
Quem se interessar em adquirir um terreno no local pode ir até o assentamento ou procurar a Casa da Agricultura de Restinga onde se encontram informações dos terrenos.
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