A chamada Gripe Suína foi considerada, no último dia 11, pela Organização Mundial da Saúde, a nova pandemia circulante pelo mundo. Está presente em mais de 75 países. Na última quinta-feira, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, depois de saber que um paciente de São Paulo adquiriu a moléstia sem ter tido contato com quem esteve no exterior, admitiu que o vírus já circula livremente pelo Brasil.
Traduzindo: a partir dessa constatação, todos nós estamos sujeitos a adoecer, como ocorreu na Gripe Asiática, de 1957; na Gripe Hong-Kong, de 1968 e, até, na Gripe Espanhola, de 1918, que vitimou até o presidente eleito, Rodrigues Alves, o futebolista Belfort Duarte e os educadores Anália Franco e Eurípedes Barsanulfo, figuras da mais alta popularidade naquela época.
Uma pandemia é, antes de tudo, igualitária. Atinge toda a população, do mais baixo poder aquisitivo até os mais abastados.
Até agora, o Brasil tem demonstrado competência para cuidar da Gripe Suína, vigiando fronteiras e encaminhando os casos suspeitos para isolamento. As providências são importantes, mas isso não é o suficiente. Pelo anunciado, o vírus já saiu do controle e há que se manter a rede primária de saúde alerta para atender a todos os que surgirem com os sintomas. Sabe-se que hospitais e centros de saúde têm recusado pacientes e os orientado a procurar os centros especializados. Isso, agora, não pode mais acontecer!
Numa situação de pandemia, todas as portas do sistema de saúde públicas e privadas têm de estar abertas para diagnosticar o mal e encaminhar os pacientes para uma solução. Não podem com o risco de agravar o problema, prevalecer o desumano jogo-de-empurra comum ao sistema. São vidas em risco e, principalmente, a saúde de toda a população.
O atendimento de saúde à população, embora seja uma das obrigações constitucionais, é uma das grandes dívidas sociais dos governos para com a população. Mesmo tendo o direito à assistência, o povo sofre nas portas dos hospitais e postos de saúde e, muitas vezes, não recebe a devida atenção. Mas, em se tratando de uma pandemia, há que se criar uma eficiente estrutura de emergência. A Gripe Suína tem sintomas parecidos com os da gripe comum. Isso exige a realização de campanha de esclarecimento permanente e disponibilidade da rede de atendimento.
Os países vizinhos, especialmente a Argentina, têm alto índice de ocorrência da gripe. As autoridades brasileiras já reforçaram a vigilância nas fronteiras com aquele país, mas isso não é o suficiente. O contágio agora é autóctone e exige o atendimento imediato do doente, até para evitar que ele atue como multiplicador do mal e morra pela gripe. As autoridades são responsáveis por montar um esquema competente. Mas a população também tem o dever de adotar suas precauções. É uma situação de emergência em que todos devem promover o resguardo.
O governo é o grande responsável para evitar que a gripe atinja os cidadãos e, se ela chegar, tem o dever de fazer todo o possível para conseguir a cura. Mas o melhor, mesmo, é que cada cidadão faça o possível (até o impossível) para evitar adoecer. Para isso, todos devem ser informados sobre os sintomas e como agir e que os hospitais e centros de saúde estejam abertos para recebê-los.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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