Um senhor de 60 anos é acusado de maus-tratos a uma cachorra cocker spaniel de apenas dez meses. Na tarde de quinta-feira, após diversas denúncias anônimas, o animal foi apreendido pela Polícia Civil. Há suspeitas também de que o idoso abusaria sexualmente da cachorra.
As denúncias de espancamento contra o animal começaram em dezembro, poucos dias após o senhor ter aparecido com o filhote em sua casa. Por diversas vezes, vizinhos chamaram a Polícia Militar na tentativa de acabar com os choros e gritos do animal. Moradores da região, que não quiseram se identificar, disseram que a cachorra chorava durante todo o dia e, à noite, emitia ruídos estranhos. “O choro era diferente. Nunca vimos, mas desconfiamos de que ele abusava da cachorrinha quando assistia a filmes pornográficos”, disse uma senhora.
Na manhã de quinta-feira, uma comissão de moradores compareceu à Delegacia Seccional para pedir providências. O delegado Maury de Camargo Segui requereu, então, um mandado de busca e apreensão domiciliar, que foi concedido à tarde pelo juiz Luciano Franchi Lemes, da 1ª Vara Criminal. Com o documento em mãos, policiais se dirigiram para a casa onde a cachorra era mantida. Lá, encontraram-na amarrada a um cano de antena de televisão por uma corrente de 30 centímetros.
“A cachorra estava próxima de um recipiente com sinais de formação de bolor, ao ar livre, e com muita fome. Seu proprietário estava visivelmente embriagado e agressivo e tentou impedir a retirada do animal”, disse o delegado. Aos policiais, segundo relatório da Delegacia Seccional de Franca, o senhor disse que a cachorra chamava-se Sasha, era “tratada a pão-de-ló” e dormia com ele na cama.
Ontem a reportagem procurou pelo senhor em sua casa, mas não conseguiu contato. Vizinhos disseram que ele teria chegado pouco antes e estaria desmaiado de tanto beber.
O delegado disse que o proprietário da cachorra é acusado de crueldade contra animais e responderá a processo criminal. Ele não deverá ser preso. Sua pena será revertida em multa ou trabalhos comunitários. A polícia também investiga se ele realmente abusava da filhote. “A cachorra foi encaminhada à perita, no caso, uma médica veterinária, que realizou o exame de corpo delito e fez a coleta de material como sangue e urina. Só com esses resultados em mãos é que poderemos afirmar o que realmente aconteceu”.
Enquanto o processo não se resolve, a cachorra foi encaminhada para uma família e recebeu o nome de Sofia.
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