As benfeitorias de dez lotes do assentamento da Fazenda Boa Sorte, em Restinga, foram colocados à venda. A comercialização foi autorizada pelo Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) que administra o assentamento. Os preços variam de R$ 21 mil a R$ 65 mil, incluindo casas, pomares, hortas e currais. Os terrenos são de famílias que desistiram de continuar no assentamento depois de dez anos. Ivan Cintra, responsável técnico de campo do Itesp, disse que os compradores pagarão apenas pelas benfeitorias.
Um encontro realizado na manhã de ontem, na Casa da Agricultura de Restinga, contou com a participação de representantes do Itesp, dos proprietários dos lotes e interessados na compra. Segundo Sonilda Silva, uma das líderes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra), que auxilia na administração do assentamento, para concorrer a um dos lotes é preciso comprovar experiência com agricultura, morar na região, não possuir propriedade rural e não ser funcionário público. “A negociação será feita entre as duas partes”, disse.
Vilmar Silva, que mora na fazenda desde a implantação, vê a desistência das famílias com naturalidade. “Somos democráticos. Ninguém é obrigado a ficar no assentamento”. Questionado sobre o fato de os terrenos irem à venda ao invés de passarem para famílias que estão há anos na lista de espera por um lote, Vilmar Silva se limitou a dizer que a venda é autorizada pelo Itesp e que os desistentes investiram nos lotes. Atualmente, a fazenda abriga 157 famílias assentadas.
Silva alerta que, para morar no assentamento, é preciso gostar de trabalhar na lavoura. “Não precisamos mendigar. Tem gente que tem até caminhonete e consegue tirar até R$ 3 mil por mês com produção de horta e venda de leite”. Os interessados em adquirir um dos lotes deve comparecer à reunião marcada para o dia 3 de agosto, às 10 horas, na Casa da Agricultura de Restinga.
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