Calçados, café & Cia


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Acho estranho, para não dizer suspeito ou injusto, o governo prestigiar tanto o fabrico de veículos automotores e seus acessórios como os eletrodomésticos da linha branca, os materiais de construção e a farinha de trigo, principalmente com a isenção do IPI, em detrimento das outras fontes produtoras de bens de consumo, como se só aqueles setores criassem vagas e empregos. Os demais, à exceção da construção civil, não são na verdade, grandes produtores de emprego e maiores do que outros segmentos. A farinha do trigo então é um grande mistério. Ela recebe o benefício, mas ele não reflete nem no preço do pão nosso de cada dia que, ao passar a ser cobrado por quilo, veio bem mais cru, branco que nem papel, porque assim gasta menos energia ou lenha e pesa mais. Freud explica, mas não traz emprego nem afasta a crise. Dizem que o automóvel hoje, é gênero de primeira necessidade. Assim não entendo e classifico-o mais como de primeira comodidade, com as exceções, é óbvio. Sua indústria emprega muita gente, direta e indiretamente, mas, com a mesma intensidade, desemprega. Vende-se mais a cada dia. O desemprego continua e aumenta e ao que parece a crise também. A industrialização precoce do país desabitou a área rural que perdeu os "roceiros" para a cidade, e foi obrigada a também industrializar-se, caindo na rotina das crises financeiras e passou para a monocultura da cana ou da laranja. Sobram os teimosos produtores de café que já começam a se sentirem cansados com o peso da opção que fizeram e com a falta de amparo do governo porque na hora do cafeicultor (leia-se produtor) comerciar a saca que foi plantada a duras penas e grandes custos, pagar as contas, o que acontece? Vende a um preço vil, colocando em risco a sua propriedade e o que é pior, continuando no vermelho junto ao banco, assim como a crise e o desemprego. Cabe ainda analisar o que ocorre em algumas cidades como a nossa e muitas outras gaúchas que dependem das indústrias calçadistas e que por falta de gerenciamento correto, cobertura e ajuda do governo, se embrenharam em crises e mais crises. Ignorou-se que da mesma forma que a automobilística, elas empregam muita gente e chegam a provocar o êxodo rural. Fico pensando por outro lado que somos milhões de brasileiros e quase ninguém mais anda descalço, não é mesmo? Porque então a crise no setor? E o desemprego? Quando será que, a exemplo da "Queda da Bastilha", os empregadores e empregados lado a lado, vão dar um basta nisso tudo e acabar com estes gerenciadores do nosso dinheiro e os manipuladores e especuladores do mesmo, pondo todo mundo para correr e assumindo de uma vez por todas nossas obrigações e responsabilidades e ai sim, deslancharemos e ficaremos com a consciência em paz, porque fizemos aquilo que era preciso fazer. Odorico Antonio Silva Advogado

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