Poucas vezes na historia da publicidade brasileira apareceu um anúncio tão original e tão oportuno numa época, como o anúncio veiculado pelo Banco Bradesco na televisão, fazendo trocadilho com a data do ano: Bradesco - dois mil-i-nove.
O publicitário, autor do trocadilho e do anúncio veiculado bem que mereceria um dos Leões da premiação das melhores propagandas do ano.
Porque chamei o anúncio de oportuno? Porque apareceu exatamente na época onde precisamos - mais do que nunca - ter um espírito inovador para superar os obstáculos que a crise nos trouxe.
Nada melhor do que espírito inovador para abandonar as idéias obsoletas, idéias do século passado, que não se comungam com espírito do terceiro milênio.
A exclamação do Bradesco - Inove! - é uma definição daquilo do que necessitamos para sobreviver e sair fortalecidos dos problemas que atualmente nos assolam. É na inovação que está a solução.
Não sei o que pode ser motivo de inovação no setor financeiro. Mas hoje, por exemplo foi noticiado, que até os bancos oficiais, Banco do Brasil e Caixa entrarão no financiamento de imóveis - no caso do Banco do Brasil - e de automóveis no caso dos dois. Positivamente, uma inovação.
No setor calçadista temos tanta coisa que necessita de inovação. Torna-se até difícil enumerar os assuntos, ou saber por onde começar!
A maior queixa dos fabricantes, hoje, é que o mercado está enfraquecido, está comprando pouco, que está difícil vender. É impossível ver gente descalça caminhando na rua. E com as últimas chuvas muitos calçados literalmente desmancharam. Porém, ninguém me explica satisfatoriamente, porque é que algumas firmas têm pedidos suficientes para trabalhar normalmente e outras estão às portas da falência.
Cabe a pergunta: houve inovação?
O que os que estão passando por dificuldades trouxeram para o mercado em termos de criação, de originalidade de novidades, de produtos diferenciados, de valor agregado?
Seguiram a tendência de oferecer mais em termos de saúde, de conforto, de segurança? Inovaram em algum setor, ou permaneceram copiando os outros, esperando o que será bem sucedido para depois imitar, como fizeram todos estes anos?
Houve alguma inovação?
As perguntas acima foram dirigidas ao setor de comercialização dos calçados. E como estamos no setor produtivo?
Há inovação das tecnologias, do combate aos desperdícios, da maior racionalização do processo produtivo, da logística interna e externa?
Houve inovação nos sistemas de controle de qualidade dos materiais e de produto final?
Houve inovação no cálculo de custo e de formação do preço de venda, de acordo com os métodos condizentes com terceiro milênio?
Foram introduzidos acompanhamentos dos resultados, da movimentação do capital de giro e planejamento financeiro sério?
Tudo isso seria inovação à qual o Bradesco nos incita numa campanha mais do que feliz, numa campanha desafiadora para despertar o espírito empreendedor do qual os brasileiros se orgulham tanto e praticam bem menos.
Inove, inove tanto a sua empresa como a sua maneira de pensar, mas inove! - Esta é a receita para a melhor saída da crise, que o Bradesco nos oferece
Em tempo: não sou cliente do Bradesco.
<b>CHINA NA AMÉRICA DO SUL</b>
De acordo com os dados oficiais o Chile importou a maioria dos seus calçados da China. Foram aproximadamente 68 milhões de pares em 2008, 6 % a mais do que em 2007. A importação teve o valor de US 497 milhões e 80% procedeu da China.
Em compensação as importações de calçados chineses para Argentina sofreram uma queda de 20%, mas mesmo assim prossegue a investigação sobre o possível dumping do seu parceiro chinês.
<b>COURO ARQUEOLÓGICO </b>
Durante as escavações num depósito de lixo de 800 anos de idade em Lyon, na França, os cientistas descobriram numerosas solas de couro do século doze e treze, nos restos de calçados. Os químicos agora esperam que este achado pode ajudar na compreensão de como o couro pode durar tanto tempo em condições de umidade, sem oxigênio.
<b>FEIRA ITALIANA</b>
A MICAM, exibição da indústria de calçados em Milão, Itália que aconteceu entre 4-7 de março deste ano, teve um "ligeiro declínio" no número de visitantes, conforme declararam os organizadores da Feira, mas que o show "continua a ser um farol de esperança" para a indústria de calçados.
<b>Zdenek Pracuch</b>
<i>Sapateiro, shoemaker</i>
pracuch@comerciodafranca.com.br
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