Desde a chegada de Carrefour, Wal-Mart, a partir de 2006, e mais recentemente os atacadistas Tonin e Makro, os micros e pequenos supermercados de bairros de Franca precisaram criar alternativas para continuar abertos e não perder clientes para a concorrência. Muitos reforçaram setores como padaria, açougue, varejão e bebidas no objetivo de ter a dona de casa sempre dentro da loja.
Outros apostaram em fidelizar os clientes com cartões, promoções e um atendimento vip. Na briga pelo consumidor, vale até se unir em associação para conseguir preços mais baratos direto das indústrias (18 micros empresários fundaram a Asfre - Associação de Supermercados de Franca e Região), chamar o cliente pelo nome e entregar a compra em casa, sem custos e o mais rápido possível.
E é em cima do contato mais pessoal que o Rilu Supermercado, no Jardim Vera Cruz, trabalha. Presente no bairro desde o surgimento dos primeiros moradores, a loja está sempre cheia de clientes da vizinhança. Ali, eles encontram tudo o que precisam, seja para uma emergência ou no caso de uma compra mensal. Há três anos, assim que os grandes varejistas fincaram raízes na cidade, os donos modernizaram as duas unidades da empresa com computadores, novas prateleiras, criaram um estacionamento e deixaram a iluminação interna mais clara.
A segunda loja Rilu fica no Jardim Luiza. “A gente não podia ficar parado, então criamos um cartão fidelização e passamos a ter um contato ainda mais próximo com os nossos clientes”, disse Lucas Aparecido Cintra, um dos proprietários. A proximidade dos comerciantes com o público é tanta que, na tarde de terça-feira, o irmão de Lucas, Ricardo José Cintra, trabalhava num dos caixas do supermercado.
Em Franca, não há uma entidade ou órgão que agrupe todos os supermercados de bairros, mas os entrevistados pelo Comércio acreditam existir mais de 50 entre micros, pequenos e médios. Alguns, inclusive, chegam a ter mais de 40 funcionários.
Esse é o caso do VN, supermercado do Jardim Aeroporto III. Nele, a proprietária Vanessa Andrade de Paula acompanha de perto o trabalho dos funcionários e as compras realizadas na loja. De cinco em cinco minutos, autoriza um pagamento em cheque, confere uma nota, fiscaliza uma entrega ou cumprimenta um cliente. Para ela, o contato diário, a entrega agilizada (no máximo em duas horas) e o mix de produtos que o cliente procura são os pontos fortes do empreendimento. “As pessoas acostumam com o atendimento, sabe que você está sempre por perto e o fato de conseguirmos oferecer um preço competitivo também favorece. Quem é daqui não sai para comprar em outro lugar”.
O estabelecimento de Vanessa também oferece cartão próprio da loja, lançado há dois anos, como forma de fisgar o cliente. “Com o cartão, o cliente consegue um prazo no pagamento e tem a opção de pagar o boleto no supermercado, sem precisar ir ao banco”, disse a proprietária, que acredita ter dois mil clientes cadastrados. Ela também costuma pré-datar cheques de clientes conhecidos. O VN existe no Aeroporto III há 15 anos.
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Mesmo sem ter um cadastro de clientes, o comerciante Donizeti Antônio de Moraes, 50, do Supermercado Noêmia, conhece um a um seus clientes mais fiéis. Nos últimos anos aumentou a padaria e o açougue e começou dar mais atenção à feirinha do estabelecimento. “O supermercado se tornou uma espécie de loja de conveniência. Aqui a dona de casa encontra a mesma marca de café que acabou em casa, o óleo que ela está acostumada, o sabonete que a família usa”. No fim de semana, Moraes ainda reforça a parte de bebidas e oferece frango e carne assada numa rotisseria que montou nos fundos da loja. “Continuamos trabalhando da mesma forma que antes, porém agora com mais preocupação. Não queremos perder clientes e, como fica difícil brigar por preço, temos que nos atentar para o atendimento e a qualidade”.
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