Marcelo Gleiser, consagrado cientista brasileiro, no seu artigo semanal da Folha de São Paulo, caderno Mais, de 5 de julho, ao abordar a questão da `Consciência Cósmica`, formula questões da mais alta filosofia. Pergunta ele: "como o mundo surgiu? E a vida? Existe alguma razão para estarmos aqui?". Ou: "a existência não passa de acidente?".
Ao procurar respostas para tais indagações, o renomado cientista toca em pontos fundamentais para o entendimento do Ser, do Destino e da Dor. O Espiritismo, segundo Allan Kardec, parte do axioma cartesiano: `Todo efeito tem uma causa`. Logo, conclui o Codificador, `Todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente`. Ora, pelo próprio conhecimento que nos faculta a ciência, o universo é obra inteligentíssima. Há de ter uma causa, proporcionalmente, inteligentíssima. Essa causa, para a Doutrina Espírita, é Deus.
Tanto é que a primeira pergunta de `O Livro dos Espíritos` trata do assunto. E as entidades espirituais, em resposta, dizem: `Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas`. Assim, a causa cáusica é Deus. Tudo provém de Deus e foi criado por Ele, pelo Amor. O Universo é um produto do Amor de Deus!
E o Espiritismo nos diz, também, que viemos do mundo espiritual, já que nossa essência é o espírito. Somos espíritos criados por Deus, também por Amor. Estamos na Terra, um planeta pertencente ao Universo e destinado por Deus à morada de um grupo de espíritos em processo evolutivo. Nossa casa, por ora, é este planeta que nos dá condições de aqui realizarmos nossa evolução, pelo aprimoramento das nossas qualidades morais e espirituais. E voltaremos para o mundo espiritual, que é a nossa verdadeira casa, de onde partimos.
Evidentemente que esta volta não se dá em uma só encarnação. São necessárias inúmeras vivências aqui ou algures, para conseguirmos realizar o processo evolutivo. Assim é o entendimento que a Doutrina Espírita faz das palavras de Jesus: `Na casa do Pai há muitas moradas`. Todas são escalas evolutivas, em busca da redenção definitiva. O acaso não pode explicar este Universo, tanto que um grupo de cientistas, dentre os quais o indiano Amit Goswami, ensina que o universo é obra de uma inteligência, chamemos de Deus, de Alá, de Tupã ou qualquer outro nome que se queira. Mas, é o Criador! Gleiser, em seu artigo, apresenta três hipóteses para explicar o universo conclamando para que tenhamos a mente aberta, porquanto, `o que chamamos de mágico ou sobrenatural pode, um dia, vir a ser explicado cientificamente`.
Ora, é exatamente essa a posição do Espiritismo. Na sua vertente científica, o Espiritismo diz que a pesquisa no campo do espírito há de ser com outros métodos científicos, diferentes da pesquisa material, para se encontrar explicações. Aí estão todos os cientistas espíritas que pesquisaram a mediunidade e encontraram respostas afirmativas da vida espiritual. Cito Bozanno, William Crookes, Gabriel Dellane, Lombroso, Charles Richet e tantos outros que, ao lado do brasileiro, Dr. Hernani Guimarães Andrade e do americano Ian Stevenson, enveredaram pelas pesquisas do sobrenatural e concluíram que os fenômenos são verdadeiros e que Leis, diferentes das que governam o mundo material, vigem para o mundo espiritual. Esta tem sido a constante preocupação da área científica do Espiritismo: mostrar ao mundo a realidade do espírito. Mundo a que se referia o Nosso Mestre Jesus quando afirmava: `Meu Reino não é deste mundo!`.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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