O padre Juscelino de Oliveira, 40, foi condenado a 12 anos de reclusão em regime fechado por ter abusado sexualmente de uma menina de 10 anos moradora da zona Sul de Franca. O crime aconteceu há três anos. A sentença acaba de ser assinada pelo juiz Paulo Sérgio Jorge Filho, da 3ª Vara Criminal de Franca. À época, o religioso integrava o clero da Diocese de Santo Amaro, a mesma do padre Marcelo Rossi, em São Paulo. Durante o processo, ele foi suspenso das suas funções na igreja e chegou a ser preso. Graças a um habeas corpus do STJ (Superior Tribunal de Justiça), poderá recorrer em liberdade.
O abuso sexual aconteceu em janeiro de 2006, mas só foi descoberto e denunciado à polícia pelos pais da garota em outubro. Em princípio, os policiais não sabiam que o acusado era um padre. Juscelino administrava a Paróquia de Santa Edwiges, situada no Jardim Noronha, em São Paulo, e vinha a Franca duas vezes por ano para visitar a mãe no Jardim Aeroporto. Ele é primo do pai da vítima e tinha o hábito de frequentar a casa da família dela.
Entrevistada pelo Comércio quando o caso veio à tona, a mãe da menina disse que o padre não tinha telefone e havia pedido a chave da casa dela para fazer uma ligação para São Paulo. A garota foi junto para abrir a porta e teria sido violentada. De acordo com a denúncia, Juscelino manteve relação vaginal com a menina, passou a língua nos seus seios e o pênis no ânus da menor. Não chegou a introduzir, mas ejaculou.
A vítima guardou segredo por alguns meses, mas deixou escapar a história em outubro, em pleno Dia das Crianças, durante uma inocente brincadeira com uma prima da mesma idade. As duas trocavam confidências sobre quem já havia levado o namorado para cama e a menina deixou escapar que já havia transado com o padre. Foi questão de minutos para que a família e a polícia ficassem sabendo.
Um laudo feito pelo IML (Instituto Médico Legal) confirmou que ela manteve relação sexual. Responsável pela apuração do caso, a delegada Graciela Ambrósio indiciou o padre por estupro e atentado violento ao pudor. Juscelino Oliveira alegou inocência, mas teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e foi preso no dia 26 de junho de 2007. Ficou no 13º DP da Capital até 7 de dezembro do mesmo ano, quando obteve o habeas corpus do STJ. Seu paradeiro é desconhecido.
Na segunda-feira, 6, o Ministério Público foi informado da condenação. O padre pegou seis anos de cadeia pelo estupro e outros seis pelo atentado violento ao pudor. “Para haver uma condenação desta magnitude, a prova tem que ser bastante convincente. Estamos confortados com a decisão, pois o juiz que prolatou a decisão, foi o mesmo que acompanhou a prova e olhou no olho da vítima. Em nenhum momento, ela deu demonstrações de que pudesse estar fantasiando. Isto, foi suficiente para convencer o Ministério Público e a Justiça de que deveria haver uma condenação”, afirmou um dos promotores que trabalharam na acusação.
<b>Ouça abaixo o promotor Joaquim Rodrigues Rezende Neto em entrevista ao repórter Edson Arantes:</b>
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