Procuram-se novos poetas. Podem ser estudantes que estejam cursando o ensino fundamental, médio e superior ou cidadãos comuns. É necessário gostar de ler e escrever, mas priorizar a criatividade. Basta "se embrenhar nessa arte sedutora de fazer verso" e "se encantar com a beleza e imortalidade do soneto". Quem afirma é Alfredo Palermo, que dá nome ao Prêmio Literário. Em sua terceira edição, o concurso está com inscrições abertas até o dia 31 de agosto.
Criado em 2005, o prêmio é uma parceria do CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), Academia Francana de Letras, Instituto Cultural Everton de Paula e Comércio da Franca. O principal intuito é revelar talentos locais, estimular a leitura e a escrita e dar oportunidade para que os escritores ainda desconhecidos mostrem seu trabalho, além de homenagear Alfredo Palermo. "O objetivo do concurso é enaltecer e perpetuar uma homenagem ao maior ícone da intelectualidade francana no campo de letras que é Alfredo Palermo, figura das mais respeitadas no meio acadêmico de Franca", comenta Everton de Paula, presidente da Academia Francana de Letras.
Nas edições anteriores, o concurso recebeu 160 poesias (2005) e 280 contos (2006). Para este ano, o gênero é soneto. "A exemplo dos outros anos, a nossa expectativa é receber no mínimo 250 trabalhos (veja regulamento no quadro abaixo)", afirma Delduque Caleiro Palma, supervisor do CIEE/Franca.
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Todo o material literário inscrito fica sob a responsabilidade do presidente da Academia Francana de Letras. Os trabalhos são avaliados por uma comissão formada por cinco membros da Academia, e divulgados após a revelação dos vencedores. "Eles não recebem a identificação do candidato, apenas um número de cadastro", argumenta Delduque.
O critério de avaliação é simples, mas preciso. "Avaliam-se a criatividade, a pertinência do assunto ao tema proposto, a norma culta gramatical empregada no texto e o respeito ao gênero proposto, mas leva-se muito em consideração a criatividade", revela Everton, que faz questão de destacar como a cidade evoluiu na área. "Franca vem ganhando notoriedade no campo de letras, não apenas devido ao trabalho que vem sendo realizado pela Academia. Tem um número muito grande de escritores autônomos e temos muitos livros literários de bom nível", avalia.
Descobrir novos talentos no Prêmio Literário "Dr. Alfredo Palermo", com certeza, é possível. "Não tenho dúvida. Inclusive um dos vencedores da primeira edição é hoje membro da Academia Francana de Letras, o Hélio França Vieira".
<b>O HOMENAGEADO</b>
O professor, jornalista e escritor Alfredo Palermo foi escolhido como homenageado do prêmio pela sua importante contribuição à literatura da cidade. Autor de diversas obras, inclusive didáticas, ele é colaborador do Comércio da Franca há mais de 60 anos e sua grande aposta está nos jovens.
"Nos dois primeiros concursos compareceram dezenas e dezenas de candidatos e houve trabalhos muito bons. Já que colocaram meu nome no prêmio, eu gostaria que os jovens prestigiassem esse concurso, que é muito interessante. Os estudantes devem desenvolver a arte de escrever e precisam de um estímulo", acredita.
Para ele, o soneto é "nas artes poéticas aquela forma de cantar mais brilhante de todos os tempos". "Pela sua natureza, o soneto tem destino e ritmo pautado pela beleza. É um atrativo para as pessoas que gostam de escrever", afirma Alfredo.
Seguir as dicas do homenageado é um grande passo para vencer o prêmio. "É importante fazer uma pesquisa e dar uma volta pelos trabalhos de poetas do nosso tempo como Guilherme Almeida, e depois tentar paráfrases ou ainda estudar a composição de um soneto nos seus 14 versos, na sua beleza e imortalidade".
Alfredo sugere também uma viagem pela biblioteca, em busca de inspirações através de grandes autores como Olavo Bilac e Manoel Bandeira. Um soneto que ele recorda com emoção é "A Pinta Preta", de Higino Rodrigues, um poeta goiano que viveu algum tempo em Franca.
<b>COMO ESCREVER UM SONETO</b>
Everton de Paula resume em poucas palavras o que é um soneto: "É uma forma poética construída por quatro grupos de versos: o primeiro e o segundo grupo têm quatro versos cada um e o terceiro e quarto grupos têm três versos cada. Ao todo 14 versos", explica.
Os versos devem possuir a mesma métrica, ou seja, o mesmo número de sílabas poéticas. Uma sílaba poética é bem diferente de uma sílaba comum. É possível unir duas ou mais palavras em apenas uma sílaba poética.
Além do número de sílabas, o soneto deve ter uma ordem em que os versos rimam. Para os quartetos, existem três formas principais de posicionamento: rimas entrelaçadas ou opostas - abba (o primeiro verso rima com o quarto, o segundo rima com o terceiro), rimas alternadas - abab (o primeiro verso rima com o terceiro, o segundo rima com o quarto) e rimas emparelhadas - aabb (o primeiro verso rima com o segundo, o terceiro rima com o quarto).
O último componente importante de um soneto é a sonoridade, isto é, onde estão as sílabas tônicas (ou fortes) de cada verso. Quando combinadas, essas sílabas fazem com que o soneto se pareça com uma suave canção.
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