Tenho ao longo do tempo alimentado minha opinião de que vivo em uma cidade maravilhosa para viver-se, no entanto, nunca desviei meu olhar, crítico em alguns aspectos, quanto aos hábitos de não ousar. Faço a observação mirando políticos, empresários dos vários setores de nossas atividades que em momentos mais recentes passou a diversificar-se, fato que obriga a qualificar como evolução de um projeto econômico. A origem de tal acomodamento pode ter se mantido por conservadorismo e tradições herdadas de passado distante, cultura dos primeiros a chegar para formação da vila. Não erramos ao considerar exageradamente gradual nossa marcha para o futuro.
Se o início da cidade registrou uma forte tendência para agropecuária para em determinado momento viver a explosão zebuína com vários títulos da raça valendo valores de sonho, o café teve seu momento com os mais altos índices de produção e merecer a citação de "melhor café do mundo". Passamos pela febre do diamante festejando as alegrias da indústria calçadista na esperança de assistir medidas de arrojo. Elas não vieram forçando a convivência com declínios e cessão de espaços para cana.
Chorar não é preciso, outros valores foram assumidos, na estrutura do ensino, no comercial, nas comunicações, na própria industrialização. Vem de fora alta dose de confiança em nosso potencial, identificando a urbe, como mercado viável para negócios e lucros, sem o que não se justificariam os investimentos já realizados e outros a caminho.
Este texto foi iniciado com a vontade de falar do guarda-chuva, ou guarda-sol de praia se assim o desejarem, peça tão absolutamente necessária e exigida por Michael Jackson buscando fiel proteção à sua pele. Esquisitice em pessoas famosas combina e pode tornar-se atração. Ídolos carregam direitos de sustentá-los. Aos 51 anos morre o mais expressivo representante musical pop após ter vendido de uma só coleção, – Thriller, 1982 – mais de 50 milhões de cópias.
Jamais alguém com equilíbrio poderá negar aplauso à qualidade do ídolo Michael Jackson, sua aprovação no mundo se marca com justiça, sendo em meu caso, o destaque para sua dança estruturada em forte expressão corporal com linguagem tão clara a não deixar duvidas de sua arte. Carlos Heitor Cony testemunhou em artigo na Folha de São Paulo: " e desde logo afirmo e reafirmo que ele é superior a Fred Astaire, até então o maior bailarino audiovisual de nossa era".
Em 1993, para uma das três visitas feitas pelo artista ao Brasil, ao abrir-se a porta da aeronave que o transportava da Argentina para nosso calor miscigenado de ritmo, luz e poesia, alguém, por inocência ou sabedoria, ousou colocar em suas mãos o guarda-sol amarelo ainda na escada desembarcando, instrumento protetor que usou radiante e seguro, mas, com assinatura estranha ao seu real patrocinador. O guarda-sol pertencia à empresa francana de sucesso naquele instante: M2000. (O guarda-sol amarelo foi exibido no Globo Repórter do dia 26 de junho 2009).
Naquele ano o assunto invadiu a mídia, bares, reuniões, meios publicitários. Muito se falou do grande tento lavrado pela marca M2000.
Duas consultas feitas a membros da extinta empresa conflitam-se. Uma alegou programação antecipada. Outra atribuiu sorte do acaso. Como defendo necessidade de ousar para não retroceder, entendo, nas duas informações esteve presente a ousadia.
Garcia Netto
Jornalista
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