Linguagem e educação sexual


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À primeira vista, quase todo mundo sabe o que vem a ser linguagem. Mas pouca gente tem a capacidade de entender bem lá no âmago o significado desta palavra. Linguagem seria mais ou menos a colocação da língua (código formado por sons e que são representados por letras) em ação para comunicar. Mesmo contrariando o conceito, qualquer sinal capaz de estabelecer comunicação entre as pessoas pode ser considerado como linguagem. Não só a fala e a escrita. Mas os gritos, os gestos, os olhares e muitas outras atitudes capazes de transferir sensações ou ideias são também classificadas no patamar da linguagem. De outra parte, a educação é tida como o aperfeiçoamento das capacidades intelectuais, físicas e morais do ser humano. Esse processo de disciplinamento possibilita a civilidade, isto é, a formação consciente e consistente das novas gerações, de acordo com as aspirações e ideais de cada povo. O ato ou efeito de educar depende muito da linguagem, do modo como se usa a palavra. Suponha que em um ônibus esteja uma mulher sentada (difícil de acontecer, mas às vezes aparece alguém educado que oferece o lugar) com uma criança no colo. Inicia-se este diálogo. Mãe: Segure firme. Filho: Por quê? Mãe: Segure firme. Filho: Por quê? Mãe: Você vai cair. Filho: Por quê? Mãe (já encolerizada e beliscando qualquer parte anatômica do lindinho dela): Eu mandei você segurar firme, não mandei? Então segura. Agora, force a imaginação para a mesma cena anterior, mas com outra mulher e logicamente uma diferente criança. Isso aqui não é teatro! Mãe: Querido, segure firme. Filho: Por quê? Mãe: Se você não segurar, vai ser jogado para a frente e vai cair. Filho: Por quê? Mãe: Porque se o ônibus parar de repente, você vai ser jogado no banco da frente e pode se machucar. Filho: Por quê? Mãe: Segure firme, querido. Não crie caso. As duas mulheres conseguiram fazer com que os filhos se agarrassem nos seguradores dos bancos. No entanto, somente a segunda criança passou por um processo educativo. Ambas usaram as mesmas expressões para contestar as mães. Só que o tipo diferenciado de linguagem da segunda mãe possibilitou um ato de aprendizagem para o segundo menino. Junto à repressão, houve educação. Provavelmente seja este o problema maior da falta de respeito muito em voga nos dias de hoje. Quando a linguagem não consegue o seu papel primordial de transmitir ideias ou sentimentos, outras formas de educar podem até conseguir um pouco nesta área tão nevrálgica do ser humano, que é a aprendizagem. No entanto não ocorre transformação de comportamento de forma bem ampla e genérica. Quantas mulheres alegam ter batido ou dado muitos pescoções nos filhos. Mas nada disso adiantou no modo de agir deles. Mal sabem elas o quanto faltou de explicações, de linguagem adequada. Houvesse uma fala clara, dentro da lógica e muitos fatos teriam outros rumos na vida já tão cheia de descontrole. A iniciação homossexual entre crianças e até a pedofilia poderiam ser evitadas, se os pais usassem uma linguagem clara e objetiva sobre a sexualidade junto a seus filhos. Diante dos acontecimentos recentes, nem seria mais o caso de orientação, mas de uma educação sexual sistemática, desde a mais tenra idade. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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