O Se Liga ouviu três especialistas para explicar as causas do aquecimento registrado nas últimas décadas. Todos apontaram necessidade de se estudar o fenômeno, mas foram enfáticos ao elencar problemas como desmatamento e o efeito estufa para justificar o fato. Para o meteorologista Marcelo Schneider, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), uma somatória de fatores justifica as mudanças no clima. O crescimento das cidades, o aquecimento global e o desmatamento na Amazônia são os fatores principais.
“Nos últimos 30 anos a população aumentou e mais prédios foram construídos na cidade. Isso deixa as temperaturas mais elevadas, mesmo em cidades menores”. Ele explicou ainda que comunidades científicas do mundo declaram que a principal causa do aumento nas temperaturas é o efeito estufa, ou seja, a liberação de gases na Terra, principalmente o gás carbônico, que retém a radiação infravermelha do Sol, provocando o aquecimento da superfície do planeta.
Em consulta aos dados da Defesa Civil, André Madeira, meteorologista do Instituto Climatempo, constatou que desde 2000 as temperaturas mínima e máxima registradas em julho em Franca foram superiores às médias históricas para o mês, que são 12,4º e 20,7º. Para se ter idéia, em julho de 2001, os termômetros marcaram 15º e 26º, respectivamente. “Por que foi maior? É necessário estudar. Como era e como ficou a estação onde são feitas as medições das temperaturas. Foram construídos prédios ao seu redor, derrubaram árvores? Pode haver interferências no resultado se isso aconteceu”, disse Madeira.
Agostinho Ogura, geólogo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), reconhece o aumento nas temperaturas, mas acha que é preciso fazer uma análise considerando uma série de fatores ao longo dos anos. “Cada região sofreu alterações para chegar até a situação atual. Passaram de grandes áreas com florestas para áreas de cultivo de café, pastagem, cana-de-açúcar, urbanização e todo o parque industrial”, disse.
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