Depois de dois anos afastada da Francal (Feira Internacional de Calçados, Acessórios, Máquinas e Componentes), a Calçados Samello está pronta para o retorno. Ainda distante da gigante que foi nos anos 90 - quando produzia 10 mil pares por dia e empregava mais de três mil pessoas - a empresa volta a ocupar um estande na feira. A marca não ficará exposta no estande individual, instalado na entrada principal da feira, como nos velhos tempos. Ainda assim, ocupará um lugar de destaque no Salão Top Fashion, área que reunirá apenas produtos de grife.
A Samello participou de 38 edições consecutivas da feira. A última vez que expôs foi em 2006, mesmo ano em que fechou as portas e demitiu mais de 1,5 mil funcionários (de Franca e da Paraíba). Nos dois anos seguintes, sem produção, se viu obrigada a afastar-se do evento. Nesse período, o presidente Miguel Sábio de Mello Neto foi mero espectador. A sensação, ele confessa, não era das melhores. “Ah... É triste... Porque nós participamos desde a inicial, desde a primeira”, disse ele em entrevista concedida ao Comércio da Franca no mês passado.
Durante visita a Franca na última quinta-feira, Abdala Jamil Abdala, presidente da empresa promotora do evento, comemorou a volta da Samello. “Vejo isso com extrema alegria. A Samello é um ícone para a indústria calçadista do Brasil. O retorno dela mostra que o setor tem poder de recuperação. Nós, sapateiros, temos que enxergar seu retorno com muita alegria”, disse Abdala.
Atualmente, a Samello tem uma produção de 250 pares que envolve o trabalho de 35 funcionários diretos. A marca apresentará uma coleção composta por linhas clássica, casual, de drivers e mocassim. Os modelos são confeccionados em couros lisos, envelhecidos e com estampas exóticas, além dos metalizados e brilhosos.
<b>HISTÓRIA</b>
Fundada há 83 anos, a Calçados Samello sempre se destacou como grande inovadora do setor de calçados no País. Entre suas ações pioneiras, foi responsável pelo lançamento dos mocassins na década de 1940, dos drivers nos anos 70 e dos docksides na década de 80.
Em outubro de 2006, a empresa fechou as portas. Entrou com processo de recuperação judicial e ganhou fôlego para quitar dívidas avaliadas em R$ 90 milhões. Apenas em salários atrasados e direitos trabalhistas eram R$ 11 milhões. Anteontem, os ex-funcionários começaram a receber as verbas rescisórias. Do total de R$ 4,8 milhões que a empresa ainda devia, foram pagos R$ 800 mil. O restante - R$ 4 milhões - será pago em parcelas até o próximo mês de dezembro.
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