O perito criminal Paulo Eliphio Quireza Crozara, 45, foi preso em flagrante pela Polícia Civil por posse ilegal de arma de fogo. Durante buscas com ordem judicial na casa e no sítio dele, policiais apreenderam 20 armas e munição. O acusado apresentou documentos e disse que era colecionador, mas um revólver estava com a numeração raspada, o que configura crime e resultou em sua prisão. A defesa alega que a arma ilegal não é do perito e que pedirá a sua soltura.
A polícia chegou até o policial depois que um irmão dele denunciou que foi ameaçado de morte. Crozara está impedido judicialmente de se aproximar da mãe e irmãos. A proibição decorre de uma briga familiar que se arrasta há mais de um ano, supostamente motivada por causa da divisão de herança deixada pelo patriarca. “Logo após a morte do pai, ele passou a ameaçar a família. Por causa destas ameaças, consegui uma medida cautelar para que ele não se aproximasse dos familiares”, disse o advogado Bruno Aguiar. Em novembro do ano passado, o juiz da 5ª Vara Cível, Rogério Belentani Zavarize, expediu ordem proibindo expressamente o acusado de chegar a menos de cem metros da mãe, do irmão e da irmã.
Na manhã de quinta-feira, o estudante Darcy Crozara Filho, 40, irmão do perito, foi ao 4º Distrito Policial e afirmou ter sido ameaçado por ele. Segundo a versão passada para a polícia, ele dirigia uma caminhonete e foi seguido pelo perito. Ao estacionar diante da casa da mãe, no Parque Francal, o policial teria descido do carro e passado a fotografá-lo. Ainda teria apontado o dedo em sua direção, imitando uma arma e simulando atirar.
Ao tomar conhecimento da ocorrência, a Polícia Civil resolveu cumprir dois mandados de busca que já haviam sido expedidos pela Justiça em razão de denúncias anteriores de ameaça. Na casa do perito, no Jardim São Vicente, os policiais apreenderam 18 armas, entre pistolas e revólveres, e munição. A quantidade foi descrita pelos policiais como “descomunal”.
Paulo Crozara acompanhou a busca, abriu o cofre espontaneamente e apresentou documentos relacionados ao registro das armas. Foi até a Delegacia Seccional para o registro da apreensão. Enquanto isto, a corregedoria, com o apoio da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), fazia buscas em seu sítio em Jeriquara.
Lá, foi encontrada uma espingarda e um revólver calibre 38 com a numeração destruída por pinos. O perito ainda estava na Seccional quando recebeu voz de prisão do delegado Maury de Camargo Segui.
Ele passou a noite em uma cela do antigo plantão e foi levado ontem cedo para o presídio especial da Polícia Civil em São Paulo. No auto de prisão, além da apreensão da arma com numeração raspada, consta como motivo o risco do acusado concretizar suas ameaças. A Justiça também deve analisar o descumprimento da ordem de manter distância dos familiares.
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