O Brasil, o mundo e a cidadania agradecem dois importantes fatos ocorridos nesse mês de junho. O primeiro foi a iniciativa conjunta de três redes de supermercados (as maiores do Brasil) suspendendo a compra de carnes provenientes de 11 frigoríficos que estão instalados em área de desmatamento. Essa decisão foi tomada em resposta a relatório do Greenpeace que prova estar a pecuária brasileira diretamente ligada ao desmatamento da Amazônia.
Ainda é cedo para saber qual será o desdobramento desta decisão e sempre é bom desconfiar de grandes grupos econômicos. Na verdade, esse boicote é meio que compulsório, porque o Ministério Público Federal está penalizando os frigoríficos que processam carne proveniente de áreas desmatadas e os supermercados poderão ser responsáveis solidários pelo desmatamento.
Mas, indecente mesmo é a hipocrisia de alguns deputados federais da bancada ruralista, que fazem o discurso catastrófico do desabastecimento de carne no mercado, da iminente crise em que o Estado do Pará mergulhará por conta da ação do MPF e da iminente explosão inflacionária que o País vivenciará em decorrência da inevitável alta do preço da carne. Ora, porque nunca se manifestaram antes, sobre o desmatamento? Por que nunca consideraram a importância do desmatamento nas mudanças climáticas? Por que nunca demonstraram preocupação em discutir programas de desenvolvimento sustentável nos estados da Amazônia?
O deputado federal Abelardo Lupion (Dem-PR) de quem, até então, nunca havia ouvido falar, criticou severamente o Ministério Público do Pará dizendo que `esses moleques irresponsáveis fazem com que um Estado inteiro, uma atividade inteira, seja inviabilizada`. Pois eu acho que essa ação do Ministério traz discussão importante que, bem conduzida, poderá gerar ações fundamentais para a garantia das futuras gerações. É hora de parar de defender ações criminosas tradicionais, como o desmatamento, fazendo o falso discurso de defesa do trabalho, dos trabalhadores etc., etc. Balela! O desmatamento sempre ocasionou apropriação indébita, ou seja, roubo de área pública e sempre visou ao lucro fácil. Ponto final.
O segundo fato é o veto do presidente Lula, especificamente, ao artigo 7º da Medida Provisória número 458, que trata da regularização fundiária da Amazônia e que já estava sendo chamada de `MP da Grilagem`. Esse artigo, acrescentado pela Câmara e vetado pelo presidente, criava condições de regularização de importantes áreas ilegalmente ocupadas na Amazônia. Ele ampliava o alcance da regularização para áreas de 1,5 mil hectares enquanto que a Medida Provisória original previa regularizar apenas pequenas propriedades. Com isso, evitou-se que empresas passassem a ser donas de terras públicas na Amazônia que, em algum momento, foram ilegalmente ocupadas.
Esses dois fatos, ligados à preservação da Amazônia, lembram a nossa infeliz contribuição para com o aquecimento global. Já somos o quarto país em emissão de gases de efeito estufa e é cientificamente comprovado que o desmatamento e a queima de áreas florestais têm contribuído para essa mudança climática que o mundo todo presencia.
Gostaria muito que a sociedade e os agentes públicos aproveitassem esses fatos e provocassem uma discussão que levasse os brasileiros a uma tomada de consciência ambiental. Afinal, através de pequenas ações diárias, podemos contribuir com o meio ambiente. É só educar e incentivar.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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