Igrejas têm filas à espera de comida


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<b>NA FILA</B> - A dona de casa Fabiana Silva mostra a panela de arroz do almoço de segunda-feira, ao lado da vasilha do feijão. Desde o começo de maio família está sem mistura e espera pela doaç&atild
<b>NA FILA</B> - A dona de casa Fabiana Silva mostra a panela de arroz do almoço de segunda-feira, ao lado da vasilha do feijão. Desde o começo de maio família está sem mistura e espera pela doaç&atild
A despensa da casa da família de Fabiana Munhoz da Silva, 23, no Prolongamento do Jardim Santa Bárbara, está praticamente vazia. Nela há apenas um pacote de arroz, um de feijão e três litros de óleo e nada mais. Sem condições de abastecê-la e assim sustentar o filho de 6 meses, ela aguarda desde o começo de maio pela doação de uma cesta básica. Em toda a cidade, levantamento feito em igrejas e centros espíritas mostra que mais de 300 famílias estão na mesma situação. Em alguns casos, a espera pelos donativos dura até três meses. Nas regiões da Capelinha e do Aeroporto está o maior número de pedidos por cestas básicas. Integrante do Domingo Fraterno (espécie de programa social das igrejas católicas que distribui cestas básicas) da Paróquia Sant’ana, no Jardim Aeroporto, Helena de Oliveira, diz que somente em junho 30 novas famílias - além das 80 já cadastradas - fizeram ficha para receber uma cesta. A maioria vítima de dramas parecidos: desemprego, doença ou descontrole financeiro. “A procura por ajuda aumenta a cada dia ao mesmo tempo que as doações diminuem. Das 80 famílias cadastradas só conseguimos atender 55 e outras 30 acabam de aparecer”. Na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, a Capelinha, a lista de espera por cestas da Pastoral da Promoção Humana acumula cem nomes. Sem condições de atender a todos, a equipe de voluntários se desdobra na realização de bazares e reforça os pedidos particulares nas missas e em arrastões de casa em casa. Ainda assim nem sempre é possível saciar a todos. A paróquia distribui em média 150 cestas básicas mensais. Assistente social do IMA (Instituto de Medicina do Além), Cilene Borges Campos atende diariamente seis pessoas com pedidos de donativos. Na impossibilidade de entregar uma cesta por solicitação feita, todos são atendidos com os produtos disponíveis para doação. “A procura tem crescido e para não deixar ninguém sem atendimento optamos por dividir as cestas. As famílias não conseguem tudo, mas levam os produtos mais emergenciais, como macarrão, óleo e arroz”. No Centro Espírita Esperança e Fé 35 famílias são atendidas mensalmente e outras dez de forma esporádica. “Todo domingo tem família pedindo cesta e para conseguir montá-las vamos para as ruas recolher os alimentos de casa em casa”, disse o voluntário José Francisco Rotondo. Para saber qual pedido de cesta atender, o coordenador do Domingo Fraterno da Paróquia São Judas Tadeu, na Vila Nova, Célio de Souza, faz uma triagem na qual o número de crianças e o estado de saúde dos membros da família são fatores decisivos na seleção. “Franca atrai muitas famílias de outras regiões e quando chegam aqui não conseguem emprego e acabam procurando a igreja em busca de ajuda. Nem sempre é possível atender a todos e para não sermos injustos adotamos alguns critérios de seleção”. A paróquia atende 70 famílias por mês e tem outras 40 na fila de espera. “Doamos a cesta por três meses seguidos até a família se estabilizar, depois fazemos um rodízio. É uma forma de atender aqueles que se cadastraram depois”, disse Souza. <b>SERVIÇO</b> Interessados em colaborar com a doação de cestas básicas podem procurar as secretarias das igrejas ou os centros espíritas. A dona de casa Fabiana pode ser ajudada na Rua Maura da Silva Santana, 2429, Prolongamento do Jardim Santa Bárbara.

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