Há quase 10 anos prestando serviço na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca, a psicóloga Fabiana Zagolin se especializou em atender vítimas de abuso sexual, agressão e maus tratos. Durante esse período, ela conta ter ouvido muitas mulheres e crianças e que cada caso de estupro é único.
“Apesar de ser o mesmo tipo de violência, há muitas variáveis. Uma mulher pode ser violentada dentro de casa durante o dia por assaltantes, à noite ao sair sozinha de uma festa ou, em caso de crianças, por familiares nas mais diversas situações”, disse. Em todos os casos, a violência deixa marcas para a vida inteira. “O trauma nunca será superado. Ficará guardado para ser despertado toda vez que ela sentir medo. E quando isso acontecer, a cena irá se repetir como um filme na cabeça dela”, afirmou a psicóloga.
Uma de suas pacientes demorou três anos até se sentir segura. “Ela foi estuprada após ter a casa invadida. Passou a morar em apartamentos, não dormia sozinha e não conseguia manter relações sexuais com namorados. Foi difícil, mas com o tratamento ela vive melhor e está casada”, contou.
Para a psicóloga existem três tipos de agressores. “O que comete crimes em série como o ‘tarado da Unesp’. Ele escolhe as vítimas e calcula seus passos. O oportunista se aproveita da fragilidade da mulher em momentos de violência - assaltos e sequestros. O último e mais comum: o que está dentro de casa. Nesses não há jeito, as mães tem que ficar atentas a qualquer mudança no comportamento das crianças”, disse Fabiana.
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