A movimentação num galpão de 13 mil metros quadrados localizado no Jardim Francano começa antes do raiar do sol. Por volta das 4 horas da manhã, 40 comerciantes e seus empregados já estão na lida, arrumando a mercadoria nos boxes que compõem a Ceasa (Central de Abastecimento) de Franca. O local funciona como uma verdadeira feira livre, mas com preços mais em conta e venda direcionada principalmente ao mercado atacado. Lá, estão reunidos produtores rurais e intermediários de 14 municípios de São Paulo e Minas Gerais. Todos têm ponto fixo pelo qual pagam uma taxa mensal que varia de R$ 190 a R$ 300.
Às 6h45, tudo tem que estar pronto. Uma sirene avisa que os clientes estão chegando. É hora de tirar os veículos do estacionamento para dar lugar aos consumidores que entram no recinto a partir das 7 horas. Na sua maioria, são feirantes, donos de mercados e restaurantes. Das 7 às 12 horas, às segundas e quintas-feiras, a Ceasa se transforma num grande “formigueiro”. Os compradores andam de um lado para o outro atrás de ofertas. O corredor se torna ainda mais apertado quando os carrinhos começam a transitar transportando as mercadorias vendidas.
Essa rotina se repete desde a fundação da Ceasa em 1983. Atualmente, todos os espaços estão ocupados. Para conseguir uma vaga, é preciso entrar na fila e participar de um processo licitatório. Quem apresentar a melhor oferta entra. “Realizamos, em média, três licitações por ano”, disse o gerente operacional da Ceasa, Giovanni Dominici.
Nem tudo o que é vendido na Ceasa é produzido na região. Pelos cálculos de Dominici, metade das mercadorias é de Ribeirão Preto. O restante vem da região ou da Ceasa de São Paulo. Por mês, são comercializadas na central francana cerca de 800 toneladas de alimentos.
Além do espaço utilizado pelos produtores rurais para vender suas mercadorias, a Ceasa ainda conta com uma lanchonete, com a parte administrativa e com o Armazém do Gelo, que funciona no local diariamente há quatro anos.
Ainda é madrugada quando o produtor rural Evandir Donizete Melane, 42, levanta para trabalhar às segundas e quintas-feiras. Às 3h30, ele já está de pé. O primeiro compromisso é ir até o sítio, no município de Franca, carregar a caminhonete com frutas e legumes para vendê-los na Ceasa.
Evandir, o Vandinho, como é conhecido entre os amigos, tinha 17 anos quando começou a trabalhar na Ceasa com o pai. Nunca mais parou. “Começamos no ano em que a Ceasa abriu”. Tanto tempo de trabalho lhe rendeu uma boa clientela. Vende para comerciantes, feirantes e proprietários de restaurantes. Quando o trabalho termina, lá pelas 10 horas, Evandir vai fazer as entregas para outros clientes na cidade. O restante do tempo é dedicado ao cultivo de bananas, mexericas, abóboras, berinjelas e jiló. “Vale a pena o esforço. Hoje não me imagino trabalhando com outra coisa”.
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