Bric


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Talvez por necessidade profissional, já que trabalho com exportações, por ser professor universitário e, ainda, porque alimento todos os dias a esperança de ver um Mundo em paz, solidário e desenvolvido mantenho, atentamente, um olhar permanente e crítico no Mundo. Por isso, fico incomodado com a pouca atenção, dada pelos meios de comunicação, às movimentações que estão ocorrendo no cenário mundial. Uma dessas importantes movimentações ocorreu no último dia 16 de junho com a 1ª. Reunião de Cúpula entre os presidentes e ministros dos países denominados de BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Muitos brasileiros, metidos a intelectuais, questionam a viabilidade de tal união. Questionam o que esses países têm em comum que justifique sua união enquanto bloco. Se dependêssemos desses intelectuais tupiniquins, não teríamos parcerias econômicas e culturais com nenhum país. Afinal, quais são as semelhanças que temos com os Estados Unidos, com a Alemanha, com o Japão, com a Holanda, etc., etc.. Precisamos entender que o Brasil é grande e de um imenso potencial, portanto, o Mundo é nosso parceiro. Somos um país sem definição étnica (característica que julgo ser a nossa maior riqueza) e somos, assim, um imenso laboratório racial e cultural. Entretanto, essas diferenças não dificultaram a formação de uma agenda mínima de consenso entre os 4 países. Temas importantes ficaram registrados e comporão uma agenda permanente, como a crise econômica global, a reforma das instituições financeiras internacionais, o papel do G20, mudanças climáticas e questões de segurança alimentar e energética. Voltarei a comentar, oportunamente, cada um deles. Mas, quando nos referimos ao BRIC, falamos de 40% da população mundial, de Estados militarmente fortes e das economias que mais crescem no mundo. Certamente, teremos momentos difíceis no futuro das relações entre os integrantes do BRIC, mas o Brasil deverá ser o maior favorecido pela nossa capacidade de interagir com povos distintos. A China e a Índia são países que, a qualquer momento, se tornarão grandes mercados consumidores e a Rússia, além do seu mercado, detém tecnologia militar estratégica que muito interessa ao Brasil. Faço aqui o registro de que não defendo a corrida armamentista, mas entendo que um país forte militarmente significa ter poder dissuasivo contra eventuais tentativas, futuras, de agressão ou invasão. Além desses aspectos econômicos, acredito que esses quatro países (mais a África do Sul, a Coreia do Sul e, também, o México - países que muitos avaliam como fortes candidatos a compor junto com o BRIC) poderão trabalhar a perspectiva de um Mundo mais democrático, mais justo e mais multipolar, baseado no respeito às leis internacionais, buscando o respeito mútuo e a cooperação. De qualquer maneira, o encontro do BRIC forneceu um esboço do poder político e econômico mundial no futuro. Acredito que é grande a chance de estarmos presenciando um momento histórico para o Mundo e o Brasil tem muito a contribuir para o reequilíbrio e democratização da ordem Internacional. Aliás, a projeção internacional do Brasil passa por essa união estratégica. Pois, como disse o Ministro Mangabeira Unger: "Países poderosos sempre ponderam se a ordem mundial facilita ou inibe suas metas estratégicas e não veem a política externa como um ramo do comércio. As potências seguem agenda geopolítica que transcende objetivos puramente econômicos. Aliás, o comércio segue o poder, e não o contrário." Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

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