O acusado pelo assassinato do serviços-gerais Wanderson César Rodrigues, 20, crime ocorrido na madrugada de domingo em frente a uma boate no Centro, é um adolescente de 15 anos, morador num bairro da zona norte de Franca. Acompanhado da mãe e de um advogado, o menor esteve ontem à tarde na sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), onde confessou ter atirado na vítima acreditando que ela iria agredir seu pai.
O adolescente prestou depoimento por mais de duas horas e saiu da delegacia hostilizado por familiares de Wanderson que aguardavam do lado de fora do prédio. O inquérito será encaminhado para a Vara da Infância e Juventude, onde será analisado o pedido de custódia preventiva do acusado.
Em depoimento, o garoto disse que, antes de entrar na boate, escondeu o revólver usado para matar Wanderson entre arbustos que existem em frente ao estabelecimento. Segundo o acusado, ele só teria ido pegar a arma depois que os três (pai, filho e vítima) foram expulsos da boate. O adolescente disse ter ficado com medo de Wanderson, que já teria ameaçado seu pai de morte dentro do estabelecimento.
Assim que deixou o interior do local, o serviços-gerais teria se dirigido ao carro do pai do menor que estava parado em local próximo. Foi neste momento que o adolescente disse ter resolvido atirar. “Eles estavam perto do carro. Foi sob aquela ameaça de morte contra seu pai que ele fez esses disparos”, disse Raimundo Lisboa, advogado do adolescente.
O menor declarou ainda ter conseguido a arma numa cidade de Minas Gerais e que a comprou sem o conhecimento dos pais. Após atirar na vítima, ele e o pai fugiram em direção a Ribeirão Preto, onde teria jogado o revólver fora. O lugar, ele não se lembra. O acusado não informou quando teria retornado a Franca.
A polícia não acredita na versão do menor. Para o delegado Marcio Murari, o adolescente estaria assumindo toda a responsabilidade para inocentar seu pai. “Acreditamos que a arma estava no interior do veículo ou que alguém conseguiu entregá-la para ele. Possivelmente o revólver pertence ao pai do garoto. Como ainda não a encontramos, não temos como confirmar isso”, disse o delegado.
Murari informou que ainda vai intimar o pai do adolescente para prestar depoimento e que ele pode ser indiciado como coautor do homicídio. “Precisamos apurar a procedência da arma e se ela realmente pertencer a ele (pai) será indiciado na coautoria deste crime”.
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Tanto o advogado quanto o delegado do caso não forneceram mais detalhes sobre a vida da família por uma questão de segurança.
A medida parece acertada, pois o caso despertou comoção geral. Familiares da vítima passaram toda a tarde de ontem na porta da DIG acompanhando a movimentação. A mãe de Wanderson Rodrigues, Regina Malaquias, mostrou sua revolta ao ver o acusado sair do prédio após o depoimento. “Ele é um assassino. Queremos Justiça. Esse monstro matou uma pessoa trabalhadora. Isso não pode ficar assim”, disse Regina.
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