Nos últimos três meses, a rotina de Giovanni Faleiros, 26, pouco tem se alterado. Todos os dias ele se levanta às 6 horas e, de posse da "verdinha" (uma bicicleta Monark barra circular), sai do Jardim Noêmia em direção ao Centro, Distrito Industrial e Jardim Paulistano. O que Faleiros procura é um emprego para que possa sustentar, além dele, a mulher e a filha de nove meses. Ele pedala em média 20 quilômetros diariamente e, na maioria dos dias, volta sem novidades.
Diante da coleção de "nãos" recebidos, o jovem, que já trabalhou como auxiliar de produção e motorista, acumula dívidas e enfrenta dificuldades para colocar comida dentro de casa. No desespero, já vendeu os móveis da sala em troca de alimentação.
Giovanni perdeu o emprego de motorista em fevereiro quando a empresa de reciclagem em que trabalhava se viu diante de uma crise. De lá para cá, tem sobrevivido com a ajuda de parentes e de bicos, quando esses aparecem. Nesta última semana, ele só conseguiu R$ 20 após desentupir um banheiro. Na semana passada, ficou à míngua. "Estava ajudando o meu pai, que é pedreiro, mas roubaram o carro dele e junto todas as ferramentas".
<b>Ouça aqui o desabafo de Giovanni Faleiros:</b>
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Sem conseguir pagar aluguel e depois de morar em 12 pessoas numa casa de dois quartos, Giovanni cuida hoje de uma chácara em troca da moradia. A última compra de supermercado ele já nem lembra quando foi. "Quando recebo um dinheiro, vou e compro um mantimento, leite ou fralda para minha filha". No mês passado, ele inclusive tentou juntar dinheiro para fazer a inscrição para o concurso público da Prefeitura de Franca, mas não conseguiu.
Na esperança de ser chamado para um trabalho, visita por mais de uma vez a mesma empresa, passa por entrevistas, vai ao PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), vasculha listas e listas de vagas de emprego e nada. "Calculo que entreguei mais de cem currículos e até agora nenhuma resposta positiva. Tenho aceitado qualquer tipo de emprego para não ficar parado".
Na quinta-feira Giovanni tinha 15 cópias do currículo numa pasta azul, junto a um terço, para serem entregues nos próximos dias. "Quando comecei a procurar emprego fazia um currículo colorido, bonito. Depois o dinheiro ficou curto e tive que passar a fazer cópia".
Com uma dívida acumulada de R$ 3 mil, Giovanni se apega à fé para não perder a esperança e a força para, no dia seguinte, pedalar novamente pelas ruas da cidade em busca de uma oportunidade.
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