É conhecida aquela história que narra as aventuras de dois passageiros que, como acontece com a maioria dos viajantes, tremiam de medo do avião cair, até que um deles disse: `não tenha medo, a chance de cair é de 1 para 1000, para cada pessoa`. Ao que o outro passageiro respondeu: `E se um dos passageiros deste vôo estiver na 999?".
A moral da história, evidentemente, dá a entender que tudo depende de `sorte` ou `azar`. No entanto, cabe perguntar: o que aconteceu com o voo 447 da AirFrance, está sujeito ao acaso? Tem a participação de Deus? Se tem, por que Deus não salvou a todos? Não quis? Não é a suprema bondade?
No entender do Espiritismo, `sorte` ou `azar` são termos que não funcionam na Lei Divina. A Lei, criada por Deus, está presente em tudo e em todos os acontecimentos. É o que determina a nossa situação aqui na Terra. Toda vez que cumprimos a Lei, somos felizes e, toda vez que a contrariamos, somos infelizes.
Esta Lei está inscrita na nossa consciência, conforme a resposta à pergunta 621 de O Livro dos Espíritos. E não podia ser de outra maneira, porquanto, como sermos responsabilizados pelos nossos atos se não tivéssemos conhecimento da Lei? Assim, a Lei de Deus está inscrita na nossa consciência e por Ela é que somos avaliados.
Também é da Lei que o magnetismo, que é força inerente a todos os seres, funcione nos mecanismos de atração e repulsão. Por isso, algumas pessoas, que se macularam perante a própria consciência, sejam atraídas, por escolha própria. Há situações nas quais podem quitar-se perante si mesmas. É esta atração e repulsão que explica por que alguns perdem o vôo, outros deixam de viajar, enfim, uns parecem outros não.
A Lei é sábia e não se engana nunca. Quer dizer, pela atração os que devem sucumbir são atraídos para os devedores, permite que cada um seja atingido, por escolha própria, a fim de se quitar perante a sua consciência. Então, não se trata de sorte ou azar, trata-se de cumprimento da Lei. E se não for pelo voo, será por outro meio, já que a nossa consciência determina a quitação perante a Justiça Divina.
Não nos iludamos. Onde estivermos, estará conosco a Justiça de Deus, porque ali estará a nossa consciência. E não há como enganá-la, porquanto ela está em nós e a tudo preside. Claro que lamentamos o acontecimento onde 288 passageiros, de forma trágica, perderam a vida física, já que a espiritual continua. No entanto, consola-nos saber que nada é por acaso e tudo tem um fim útil. No caso, acreditamos que seja a quitação de débitos coletivamente assumidos e, agora coletivamente resgatados.
E Deus, que é Suprema Bondade, só permite que assim se dê, por respeitar o livre-arbítrio de cada um. Os que optaram por assim se quitarem, certamente, darão um salto evolutivo em busca da perfeição.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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