A Larousse Cultural define ansiedade como `angústia, aflição, grande inquietude, desejo veemente, impaciência, sofreguidão, avidez`. Um dos efeitos da ansiedade é deixar a pessoa perdida no tempo. Na ânsia de querer chegar logo a um evento futuro, perde-se o presente. O excesso de ansiedade atrapalha, pode travar a pessoa. A inquietude leva à dispersão, à desconcentração, a fazer uma coisa pensando em outras.
É característica do ansioso fazer as coisas com pressa para terminar logo, e aí deixa de pôr o seu melhor. Maior a pressa, menor a qualidade. Vejo isso em monografias de estudantes de Direito, em peças processuais elaboradas por estagiários. O fazer bem feito deve tornar-se um hábito. Não se pode querer fazer logo para ficar livre.
Uma coisa de cada vez, não preocupar-se com certos problemas antes da hora, para não comprometer o que tem de ser feito antes. Há uma sequência, uma ordem natural que precisa ser respeitada. É não passar a carroça na frente dos bois, não saltar etapas. É salutar preencher o tempo, tê-lo como um aliado, ao invés de matá-lo. Como escreveu Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas: `o homem mata o tempo, o tempo enterra o homem`.
A ansiedade pode andar com o verbo `estar`, mas não com o `ser`. É normal ficar ansioso em ocasiões que fogem da rotina, diante de certos compromissos e desafios, mas a inquietação nesses casos é passageira, vai-se junto com o seu motivo. Porém não é saudável ser ansioso no dia-a-dia. A ansiedade, mesmo em situações em que se justifica, não pode sair do controle, sob pena de pôr tudo a perder.
Os profissionais da saúde que trabalham em atendimentos de urgência, por exemplo, imaginem se se deixarem dominar pela ansiedade. Buscam-se várias maneiras para vencer ou controlar a ansiedade, muitas, todavia, equivocadas, pois, ao contrário do esperado, acabam criando outros problemas. Cigarro, bebidas, drogas, comer por compulsão. Não é rara a obesidade decorrente da ansiedade; o ansioso vira ansioso obeso. Em muitos casos a ansiedade está associada à baixa autoestima, à insegurança, a um sentimento de inferioridade perante os outros e a uma dificuldade incomum perante desafios normais da vida.
É preciso alterar o modo de pensar e de ver as coisas. Há motivo para tanta ansiedade? Ficar aflito vai ajudar? Não. Então é segurar a onda, manter a calma. A vida já é curta; pra que querer estragá-la, encurtá-la ainda mais? Envolver-se com atividades prazerosas e saudáveis é bom. Nada de morrer na véspera, quem faz isso é peru. Portanto, convém ajustar o foco e o ritmo, diminuir a tensão. Não tem segredo, meu irmão, limão é azedo, fogo queima, água molha, retireiro levanta cedo. Para diversas coisas na vida não adianta oposição, pois elas são como são. Melhor mesmo é descomplicar, mudar o jeitão; é se acalmar, limpar a lente, ver as coisas do modo certo e na exata proporção.
O que se busca longe, fora do campo de alcance, às vezes está perto, à mão. Não precisa ser frio como gelo, mas também nada de agir no atropelo, de se impacientar sem razão, de procurar pelo em ovo, de querer encontrar o xis onde não há questão. Tem hora que a gente se cala porque não tem mesmo o que falar, e não porque é mudo; nem tudo tem solução. Distante do sul é norte, da morte ninguém escapa, para todos chega o crepúsculo; forte não é quem tem mais músculo e briga à toa, é quem tem cabeça boa e amor no coração.
Paulo Pereira da Costa
Promotor de Justiça e autor do livro `Pensando na Vida` – paulopereiracosta@uol.com.br
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