Renato Teixeira se sente em casa quando está em Franca. Ele acredita que em cinco anos já veio à cidade mais de dez vezes. Talvez por isso ou pela sua própria personalidade, demonstrou intimidade na tarde de ontem durante um bate-papo por telefone com a equipe do Comércio.
O cantor e compositor se apresenta hoje - acompanhado dos filhos Chico Teixeira e João Lavras - às 22 horas, na Phoenix Eventos. No repertório do show, de pouco mais de uma hora, estão clássicos da música brasileira: Amanheceu, Peguei a Viola, Um Violeiro Toca, Casinha Branca, Chalana, Pai e Filho, Éramos Nós, Amizade Sincera, Tocando em Frente, Romaria, entre outras.
Estão sendo vendidas mesas para quatro ou seis pessoas. Os ingressos individuais para as mesas localizadas no setor A (em frente ao palco) custam R$ 80 e para o setor B são vendidos a R$ 60. A Phoenix fica na Avenida Doutor Hélio Palermo, 3890. Mais informações pelos telefones (16) 3723-8001 ou 9124-2222.
<b>Comércio da Franca</b> - Você gravou o primeiro DVD em 2007. Por que demorou tanto tempo para gravar?
<b>Renato Teixeira</b> - Bom, não sei explicar. Chegou uma hora que tinha que fazer um DVD, acho que tinha uma demanda reprimida, as pessoas queriam ver as imagens. As músicas são conhecidas, todas de minha autoria. É díficil porque o mercado é mais ligado às músicas que estão tocando, cariocas, baianas. E quando o DVD saiu começou a vender muito, foi o 6º mais vendido em 2007 e isso criou uma perspectiva para fazer o segundo.
<b>CdF</b> - Então você já está trabalhando em outro projeto?
<b>Renato</b> - Agora estou preparando o próximo DVD, porque surgiram várias possibilidades. Estou em negociação para fazer o DVD Um Tributo a Elis com Ivan Lins e João Bosco, tem outro com o Sérgio Reis que chama Nós e Nossos Filhos, um projeto bem legal, e quero fazer um com voz e violão, como barzinho, que tem uma demanda boa também.
<b>CdF</b> - Todos para este ano?
<b>Renato</b> - Pela experiência que eu tenho não adianta a gente querer, vai acontecendo naturalmente.
<b>CdF</b> - Como você define o estilo folk atribuído à sua música?
<b>Renato</b> - O folk é um tipo de canção que surgiu na Alemanha, no século 17. Os profissionais se inspiram na música do povo e transformam deixando mais apropriada para o mercado. A música caipira tem origem na terra e o meu folk é em cima dela. O folk tem um fator determinante que é o lado da emoção, do sentimento, cantar canções que realmente tocam os corações das pessoas. Me perguntaram se o meu estilo era caipira. Não é. Caipira é Tonico & Tinoco. Sertanejo é Chitãozinho & Xororó. Raiz muito menos. O compositor Geraldo Roca definiu nosso som como folk. Não é o folk da Malu Magalhães, que é mais americanizado.
<b>CdF</b> - O que você acha do sertanejo universitário?
<b>Renato</b> - O que acontece é que essas novas duplas que estão surgindo, as que tocam sertanejo universitário (que tem esse nome triste), nitidamente estão tomando mais o meu lado do que o sertanejo. Isso é bom, porque o sertanejo é uma visão mais comercial e o folk é mais artístico, mais comprometido com a história cultural. A música sempre teve esses dois lados da moeda: o comercial e o cult. Quando o lado cult começa a influenciar as novas gerações é um bom sinal.
<b>CdF</b> - Então como você qualifica esse estilo?
<b>Renato</b> - Está indo nesta direção, com mais qualidade. Já o sertanejo e o axé, mais populares, "eles" banalizaram demais o verso. O verso e a poesia não têm importância, eles precisam de palavras, não de poesias. Por outro lado, os meninos Victor & Leo estão fazendo uma coisa um pouco mais elaborada, as letras não são tão banais, o som é um acústico bem tocado. O mais importante é que esta música é do interior de São Paulo, praticada também no Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, na região Centro-Oeste, mas a cultura caipira é nitidamente a paulista.
<b>CdF</b> - Você diz em seu site que considera um grande momento da sua história a parceria com Almir Sater? Existe a possibilidade de voltarem a compor juntos?
<b>Renato</b> - A gente nunca parou de compor. Toda semana a gente está junto, trabalhando. Temos quatro, cinco músicas sendo feitas. A parceria não para porque é tão difícil acontecer, é como um casamento, para dar certo precisa haver uma química, e eu e o Almir temos. Tem dia que passamos o dia todo trabalhando numa música só, curtindo.
<b>CdF</b> - E você também tem parcerias com os seus filhos. Como surgiu a oportunidade de gravar a `O Contador de Causo`, com o Chico para a novela Paraíso?
<b>Renato</b> - O compositor Marcelo Barbosa, que é diretor musical da novela do pai dele, o Benedito (Rui Barbosa), fez uma música (preciso me informar melhor, mas acho que teve a parceria de Zé Rodrix). Aí ele convidou o Chico para cantar e tinha uma parte que era declamada como se fosse a sinopse da novela e ele pediu para eu fazer. Gosto de trabalhar com meus filhos, tem uma química genética, risos.
<b>CdF</b> - Como será o show em Franca?
<b>Renato</b> - Canto com meus dois meninos (Chico e João). É um show de autores, bem descontraído, tem muita conversa, bate-papo. Não é uma apresentação marcada porque o compositor pode se dar a esse luxo.
<b>CdF</b> - E o repertório?
<b>Renato</b> - São músicas conhecidas, consideradas clássicos da música brasileira como Cuitelinho, Casinha Branca, que eu gosto muito de cantar, Cabecinha no Ombro. E como estou preparando um DVD de músicas inéditas, a gente tem ensaiado bastante e quando fica pronta coloco umas duas, três no show. Não é um show para dançar, mas para cantar e se divertir, contar piada. Tento criar um clima bem descontraído, esse lado da música é superimportante, desperta emoções, é gostoso e graças a Deus temos conseguido isso.
<b>Ouça na íntegra o bate - papo da repórter Fernanda Martins com Renato Teixeira:</b>
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