Quando Márcio Thomaz Bastos foi ministro da Justiça, deu-se conta de que o "Mensalão" deveria chamar-se "caixa- 2", expressão que seria menos prejudicial ao Governo. Declarou no dia 27/5/2009, em depoimento à Polícia Federal como testemunha de defesa de José Dirceu, que o "mensalão" nunca existiu, é "peça de ficção". Todos sabem que a atuação dele como ministro de Estado foi mais de criminalista que de ministro. Afinal, uma quadrilha havia assaltado o Poder, como afirmou o procurador da República, Antônio Fernando de Souza, e essa turma carecia de um grande criminalista no poder para defendê-los. Agora mais uma enxurrada de lama e rejeitos escorre de Brasília vinda do Senado.
Em que pese a declaração de José Sarney de que não vai renunciar ao cargo, o que se depreende é que ele deve "pedir pra sair", em face dos escândalos que o envolve. Os atos secretos do presidente do Senado foram patrocinados por Agaciel Maia, seu afilhado, que por sua vez declarou que sempre agiu de acordo com os integrantes da Mesa Diretora. Além de empregar o neto, "sem saber", "José Sarney, emprestou apartamento funcional que estava em seu nome). Sarney tem casa em Brasília e a Mesa Diretora só permite que senadores em exercício do mandato usem imóveis funcionais (www. congressoemfoco.com.br)".
Do mesmo sítio, extrai-se mais essa bomba: "Atos secretos do Senado foram usados para uma troca de nomeações entre os gabinetes do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e do então colega Edison Lobão (PMDB-MA), que hoje exerce o cargo de ministro de Minas e Energia. Diretor-geral do Senado à época, Agaciel da Silva Maia nomeou em 8 de outubro de 2003 a filha de Crivella, Deborah Christine, para o gabinete de Lobão, que exercia mandato. Nesse mesmo dia, Renato Lobão Ferreira foi exonerado do gabinete de Lobão e nomeado para o de Crivella. Renato nega ser da família do ministro e diz que tem como provar. Mas a mulher do ministro diz que Célio é primo distante de seu marido".
Para encerrar, o "Congresso em Foco" publicou ainda: Os atos secretos foram usados para blindar e esconder movimentações de assessores parlamentares presos pela Polícia Federal nos últimos anos. É o caso, por exemplo, de José Roberto Parquier, preso pela PF em maio de 2006. Na época era assessor do senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Mesmo depois da operação, ele permaneceu por mais dois anos no Senado, recebendo R$ 7,6 mil de salário. Sua demissão se deu em 15 de maio de 2008, por meio de ato secreto - somente agora revelado. Em outro caso, de 2 de dezembro passado, o Senado publicou a exoneração de Antônio José Costa Guimarães, acusado pelo Ministério Público Federal no escândalo da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), que envolveu também o hoje deputado Jader Barbalho (PMDB-PA).
Sarney, para se blindar, vai emplacar o termo "erro técnico" e não "ato secreto", no relatório final. Gilmar Mendes ao comentar o escândalo afirmou: "Políticos dão lição de sabedoria". A sabedoria dos políticos brasileiros consiste em roubar e fraudar sem serem incomodados.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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