O governo federal anunciou nesta semana a compra de quase 2 milhões de sacas de café da safra de 2009. O preço a ser pago está acima do praticado no mercado hoje (R$ 265). O Ministério da Agricultura promete desembolsar entre R$ 303,50 e R$ 309 por saca de 60 quilos. A compra será feita por meio de leilões que já têm data marcada. Acontecem nos dias 19 e 24 de junho. Antes disso, a Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas) de Franca orientará seus mais de 1,5 mil cooperados em reuniões hoje e amanhã, que serão realizadas em Franca e Ibiraci (MG).
Nos leilões, o cafeicultor que se interessar pelo negócio deve assinar um contrato de opção de venda com duas datas de vencimento: a primeira em 12 de novembro deste ano e a segunda em 14 de janeiro de 2010. Diferente de uma simples compra, o contrato de opção dá ao produtor o direito de, se encontrar preço melhor, desfazer o negócio com o governo sem qualquer custo. “Para nós, cafeicultores, isso é muito bom. Neste tipo de contrato, nós não temos a obrigação de entregar o café para o governo se conseguirmos uma negociação melhor” disse Sebastião Ananias, secretário municipal de Finanças e cafeicultor. A data-limite para o fechamento de negócios com outros compradores é a do vencimento do contrato.
A proposta do governo é comprar um milhão de sacas até novembro e outras 800 mil sacas até janeiro de 2010. Pagará R$ 303,50 a saca, para os contratos fechados no leilão do dia 19 de junho, e R$ 309, para as negociações feitas no dia 24 de junho. O cafeicultor só receberá o valor estipulado quando fizer a entrega.
Os leilões serão realizados por meio de pregões eletrônicos conduzidos em Brasília. De acordo com as regras, cada produtor poderá vender no máximo 400 sacas de café, sendo que, a cada 100, um contrato será assinado.
Não é possível avaliar o impacto que a medida causará na região. Para pequenos cafeicultores, ela poderá garantir a venda de toda a safra de 2009.
O anúncio feito pelo governo não estipulou como será feita a entrega das sacas e quem assumirá os custos do transporte do café. Além disso, não menciona nada a respeito de como será e quem arcará com as despesas da análise de qualidade do café a ser negociado (leia mais em texto de apoio).
Apesar das incertezas, alguns cafeicultores da região comemoraram a iniciativa. “A formação de um estoque regulador é uma das medidas que a cafeicultura vem reivindicando há tempos. Todo governo pratica isso, só o governo brasileiro que ainda não tinha”, disse Ananias.
<b>Ouça abaixo reportagem de Renata Modesto:</b>
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