O asfalto mal remendado


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Provavelmente alguém vai pensar: "melhor rua com asfalto mal remendado do que na terra pura". Realmente, a realidade tem duas faces. Tudo depende da posição do espectador. Quem está lá no Jardim Cambuí, no meio de buracos e enfrentando poeira constante ou então barro intermitente, nem se preocupa com uma valeta aberta por toda extensão do leito carroçável de uma via qualquer. Mas aqueles que trafegam pela Rua Francisco Marques, logo após a rotatória, sentem nos amortecedores dos veículos e nas próprias costas os trancos proporcionados por valetas abertas pela Sabesp. Às vezes, o buraco permanece no local por vários dias ou até semanas. Quando se remenda a cratera, a qualidade da massa de asfalto é a pior possível. A última ligação de água ou esgoto feita já no trecho de duas pistas da Francisco Marques, quase esquina com a Rua Abrão Bittar, aconteceu quarta-feira passada. Até ontem, a dupla valeta ainda não havia sido mal remendada. Se a demora for igual à de um serviço feito a pouca distância deste de agora, um mês será o tempo mínimo de espera. Quando o ideal seria fazer o remendo imediatamente. Aliás, a Rua Francisco Marques tornou-se uma campeã de maus serviços prestados por empresas terceirizadas. Como a Prefeitura não fiscaliza as obras, os munícipes acabam tendo de pagar depois, já que cedo ou tarde o serviço deve ser refeito pela Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). Nesse caso, a conta vai ser paga por quem? Uma amostra de garibada feita por terceiros está na pista direita da citada rua, no trecho denominado antigamente de Rua Engenho Queimado (por sinal, bem mais poética essa denominação!). Toda a extensão da pista que margeia o Jardim Paulo Archetti foi aberta para colocação de tubos para recolher água da chuva. Depois que taparam com terra a rede pluvial, a longa valeta ficou assim por mais de três meses. Quando a empreiteira do serviço resolveu remendar a comprida cratera, usou apenas pedriscos misturados a cimento. Esse concreto de péssima qualidade sofre esfarinhamento constante, provocando buraco dentro de buraco. Não bastasse esse contratempo, qualquer chuva carrega terra do Parque Continental e outros bairros adjacentes para a Rua Francisco Marques. Assim, as galerias vão sendo entupidas e o lamaçal corre pela pista até a ponte sobre o Córrego Engenho Queimado, que vira um barro só. A retirada da terra acaba sendo feita posteriormente pela Emdef ou pela Colifran. Isso depois de ter atrapalhado muita gente que só dispõe dessa via para trafegar motorizadamente ou mesmo a pé. A privatização de serviços pode baratear o custo ou até mesmo agilizar a execução. No entanto, em muitos aspectos o contribuinte acaba perdendo na qualidade. Se a modernidade requer essa terceirização, o poder público precisa ao menos criar mecanismos de fiscalização das obras. De remendo, para asfalto novo, quando será que a Prefeitura vai pavimentar todos os cruzamentos da Rua Francisco Marques, que servem de interligação entre o Jardim Martins/Parque Continental com o Jardim Dermínio/Vila Santa Efigênia? Além do melhoramento, o local necessita de estudos para implantação de obstáculos no canteiro central. Veículos trafegam pela contramão ou cruzam a calçada, até diante de comando de trânsito feito nas imediações. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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