O risco da Inteligência Artificial


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Desde que começou a ser pesquisada, logo após a 2ª Guerra Mundial, e hoje, com a aplicação dos recursos de última geração, a Inteligência Artificial faz o sonho e também o terror da humanidade. Uns sonham com a facilidade e a eficácia dos computadores, assumirem as tarefas dos humanos; outros temem pelo iminente perigo da perda do controle. O cientista Ray Kurzwell observa – e prevê – que, ao redor do ano 2045, já existirá o "trans-humano", resultado da irreversível mistura de homem e máquina. Essa previsão suscita questões tecnológicas, médicas, psicológicas, morais, econômicas, sociais. Independente de tudo, uma verdade (talvez um dogma) tem de ser estabelecida: nada pode substituir o homem. Os computadores são máquinas maravilhosas que disponibilizam ao homem a assessoria técnica capaz de alavancar trabalhos fantásticos. É através deles que o mundo foi transformado na aldeia global sonhada décadas atrás, onde podemos cumprir tarefas antes sonhadas mas intangíveis. É, sem dúvida, a grande ferramenta que o Século 20 legou à humanidade para a sua transformação. Atualmente, qualquer atividade, por mais complexa ou humilde que seja, é melhor executada quando há um processo informatizado no seu bojo. A computação e a robótica propiciaram à sociedade um salto de qualidade equivalente a uma viagem de anos-luz, tão grande, que nem conseguimos quantificar. Mas, é só isso, nada mais que isso, pois querer delegar o poder de decisão ao computador, por mais avançado que seja, é inaceitável e verdadeiramente perigoso. O homem é o único ser da Terra dotado de discernimento, inteligência e raciocínio e, com seu maravilhoso conjunto de sentimentos, objetivos, sensibilidade, culturas e temores, é capaz de fazer coisas incríveis desde que disponha das ferramentas adequadas. Por mais desenvolvidas que sejam as aeronaves que hoje cruzam os céus do mundo, é indispensável a presença do piloto e da tripulação a postos para que no momento mais adequado, possam decidir com acerto entre as diferentes alternativas tecnológicas apresentadas para um problema. Não temos elementos para afirmar (nem desafirmar) se os acidentes com os Airbus - da TAM em Congonhas, da Air-France, sobre o mar, e tantos outros - teriam sido obras de interpretações ou procedimentos impróprios de supercomputadores de bordo. As investigações ainda devem essa imprescindível, rigorosa e detalhada informação à sociedade que, apesar das insistentes afirmativas de que a avião é o meio de transporte mais seguro, vive atroz medo de voar e não chegar. Por uma questão de lógica e segurança, abaixo a IA (Inteligência Artificial) e viva a IH (Inteligência Humana). Decidir, só o homem; jamais a máquina... Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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