Juiz defende aproximação entre Justiça e sociedade


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<b>A JUSTIÇA E A IMPRENSA</B> - O juiz substituto do Trabalho, Alexandre Alliprandino Medeiros, durante palestra mediada pelo jornalista Corrêa Neves Júnior, ontem, na sede do GCN: *É conhecendo a realidade que tomar
<b>A JUSTIÇA E A IMPRENSA</B> - O juiz substituto do Trabalho, Alexandre Alliprandino Medeiros, durante palestra mediada pelo jornalista Corrêa Neves Júnior, ontem, na sede do GCN: *É conhecendo a realidade que tomar
O juiz substituto do Trabalho em Franca, Alexandre Alliprandino Medeiros, 35, concedeu uma palestra, ontem, a repórteres, editores e membros do departamento jurídico do Grupo Corrêa Neves de Comunicação. Disse pautar sua conduta pelos princípios cristãos, afirmou que a Justiça do Trabalho não é lugar de se passar a mão na cabeça do trabalhador e falou sobre a responsabilidade de julgar o futuro das pessoas. “O magistrado, como todo ser humano, sofre muito.” É justamente para proferir sentenças mais justas que Alexandre Alliprandino defende a necessidade de encontros como o de ontem. Para ele, a Justiça deveria ter um contato mais próximo com os diversos segmentos da sociedade. “Já passou da hora de o juiz sair deste castelo, desta redoma, e conhecer a realidade onde está inserido. É conhecendo esta realidade, conversando com as empresas, com os sindicalistas, que vai conseguir, cada vez mais, que suas decisões sejam justas.” O magistrado afirmou que não há uma blindagem separando os juízes do Trabalho da comunidade e que as portas da entidade estão abertas. “Posso assegurar que vocês vão ter sempre muito acesso. É muito fácil conversar com um juiz do Trabalho, porque é um juiz que lida com um público humilde, normalmente, formado por trabalhadores.” Defender uma relação mais próxima com a sociedade não é o único diferencial na forma de trabalho do juiz. Cristão por excelência, se pauta por este princípio ao tomar suas decisões. “Gosto de falar das coisas de Deus. Tenho a preocupação de dar bom testemunho social nos meus atos. Faço isto por convicção de fé, não pelo poder que me foi investido. O poder não é nosso. É de todos”. Apesar de todos os cuidados, admitiu que a responsabilidade de julgar é complexa e sujeita a erros. “Fico remoendo e chego a sonhar com os processos. É impossível para um juiz saber toda a verdade sobre os fatos. Como todo ser humano, erramos.” Alexandre Alliprandino nasceu em São Paulo e formou-se em Direito na Unesp de Franca. Antes de ingressar na carreira jurídica, foi zagueiro das equipes de base do São Paulo nos anos de 1987/88. Aconselhado pelo pai, que jogou no time de Batatais, abandonou o futebol para se dedicar aos estudos. Em 1999, foi aprovado em concurso para juiz no Mato Grosso do Sul. Atua em Franca desde 2002 e é casado com uma francana, integrante de uma tradicional família de policiais. Representante da nova safra de juízes, revelou ser metódico e organizado. Não gosta de deixar serviços pendentes nem de levá-los para casa. “Não deixo para amanhã o que posso fazer hoje. Faço a audiência num dia e julgo no outro.” Mesmo não acreditando no real potencial da crise econômica mundial, disse que a implantação do banco de horas nas empresas pode ser uma saída nos momentos de dificuldade, mesmo não havendo anuência dos sindicatos. “O banco é uma necessidade premente. Serve para os momentos de crise ou picos de produção”. O juiz defendeu o investimento das empresas em áreas de Recursos Humanos e valorização de seus profissionais e disse que funcionário satisfeito renderá mais e, dificilmente, acionará a Justiça.

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