Namoro com amor é melhor


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Não faz muito tempo, na maioria dos casos, a escolha de um par enamorado cabia à família, de preferência em consonância com os interesses econômicos. Pode até ser que nos dias atuais ainda exista isso, porém é um acontecimento mais raro. Pois dificilmente os filhos seguem a vontade dos pais, não só no que tange ao namoro, mas em qualquer aspecto da vida deles. Mesmo assim, o dinheiro continua sendo sinal de beleza. Em contrapartida, atualmente muitos jovens estão com a cabeça mais arejada. Valorizam o ser, no lugar do ter. São também mais liberados (e até demais!) em todos os sentidos. Namoro agora conta com uma conotação bem diferente daquela que tinha antigamente. Noutros tempos, seguindo a etimologia, namorar era apenas cortejar, na maioria das vezes, só de longe. Quando muito, havia um pequeno intercâmbio de palavras entre uma moça e um rapaz. As mãos falavam pouco. As bocas, menos ainda. Manifestações de outras partes do corpo eram abafadas e contidas no nascedouro. Além de toda transformação sofrida, a bonita palavra `namorar` destrambelhou de vez. Ganhou novos sentidos. Qualquer tipo de envolvimento ou relacionamento entre um homem e uma mulher, não importando a idade, passou a ser namoro. Neste novo tempo, em que a família se desfaz com muita facilidade, a filha tem namorado, a mãe tem namorado. Do outro lado, o filho tem namorada, o pai tem namorada. A avó anda namorando! Até os homossexuais (pessoas que tem sexo com pessoas do mesmo sexo) também se apoderaram do verbo `namorar`. É mulher que tem namorada ou homem que tem namorado. Com a forte concorrência no setor, a indústria e o comércio só têm a ganhar. Haja presentes para o Dia dos Namorados! Todo mundo namora. Voltando à família, ao namoro, naquilo que era mesmo namorar. Por hábito, o rapaz avisava ao pai que estava interessado em uma moça. Este, por sua vez, costumava aconselhar ao filho para que olhasse, antes, a mãe da garota. Pois, esta seria exatamente igual à mãe, daí uns quinze ou vinte anos depois. Ou vice-versa, quando a observação vinha por parte da mãe. Só que a moçada não ouvia a sábia experiência. Hoje, a dica de semelhança não passa pela cabeça de ninguém, já que pouca gente namora para se casar realmente. E, quando ocorre a união, ela dura pouco. Não dá nem tempo de ver a namorada aflorar (ou seria amadurecer?) na própria figura física e psicológica da mãe. De todo modo, não importam as mudanças ocorridas. O importante é que enquanto houver um homem e uma mulher se querendo, se amando, haverá namorados. E namorar é um dos melhores atos da vida. Quando existe amor, o namoro passa então a ser a melhor coisa na existência de duas criaturas. Para terminar, fica esta reflexão do escritor grego Nikos Kazantzakis, deixada no livro Zorba, o grego: “...que se amem aqueles que se amam e que este amor possa acabar com o ódio de quem não sabe ter amor nenhum...” Antônio Araújo Professor de redação – tonin.palavras@uol.com.br

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