Caçadores de aves


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<B>OLHO CLÍNICO</B>- Com binóculos, os biólogos Gustavo Garcia, 25, Carlos Eduardo Amorim, 29, observam pássaros no Parque de Exposições <i>Fernando Costa</i>.
<B>OLHO CLÍNICO</B>- Com binóculos, os biólogos Gustavo Garcia, 25, Carlos Eduardo Amorim, 29, observam pássaros no Parque de Exposições <i>Fernando Costa</i>.
Há três anos os biólogos Carlos Eduardo Amorim, 29, e Gustavo Garcia, 25, que montaram o grupo Francaves, aproveitam os momentos de folga para sair à procura de pássaros nas áreas arborizadas de Franca. Com binóculos e uma caderneta para anotações, os dois observam as aves em praças, no Parque "Fernando Costa", no novo campus da Unesp e até no cemitério. Desde 2007, a dupla catalogou 120 espécies. A ideia é conhecer os animais que vivem na cidade e depois divulgar as informações sobre cada um. Os observadores pensam em publicar um livro sobre as aves de Franca. Os dados dos exemplares já identificados estão divulgados na internet e são apresentados nas salas de aula em palestras feitas pelos biólogos em escolas particulares e públicas. Carlos Eduardo começou a observar pássaros por hobby faz dez anos. Morou em outras cidades e sempre saiu a campo disposto a conhecer as espécies. Em Franca, decidiu prosseguir com o trabalho. "Tenho o sonho de montar uma ONG (Organização Não-Governamental) para levar a educação ambiental para a população porque as pessoas são leigas e não sabem da importância dos animais", disse. Segundo ele, os dados sobre aves em Franca são praticamente inexistentes. A primeira etapa do grupo Francaves foi fazer o levantamento no município. Quando saem a campo, Carlos Eduardo e Gustavo param em vários pontos e com o binóculo ficam observando cada pássaro encontrado. Fotografam e anotam o número de indivíduos localizados e suas características, como cores, tamanho do bico e outros detalhes que auxiliam na identificação. O passo seguinte é descobrir os nomes - popular e científico - dos mesmos com a ajuda de fotografias em livros e sites especializados. O canto das aves também colabora nesta tarefa. "Tenho um bom conhecimento sobre aves e algumas identifico a olho nu. Em outros casos recorremos à internet. Existe um site americano com cantos das aves onde podemos comprar os sons com os emitidos pelos pássaros que encontramos em Franca", revelou. Dentre as espécies mais interessantes que localizaram estão a águia chilena, papagaio galego e o soldadinho. O processo de observação continua. Aos fins de semana os biólogos se reúnem com outros conhecidos para procurar espécies e trocar informações. O Francaves tem página no Orkut e um blog para divulgação de fotografias, nomes e local onde as espécies foram vistas. O endereço é amigosdasaves.blogspot.com. "É uma oportunidade de conhecer mais sobre aves de cerrado e reunir dados importantes para o Brasil todo. Temos projeto de publicar um livro". Os pesquisadores acreditam que divulgando o levantamento conseguirão conscientizar as pessoas para preservarem o meio ambiente. "A população olha o animal minúsculo e não sabe a importância que tem. Os pássaros ajudam na proliferação das árvores. Eles comem uma semente numa mata perto de um canavial e acabam semeando em outro terreno. Quanto mais árvores, mais oxigênio", disse Carlos Eduardo Amorim.

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