Psssssssiu!


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Quantas vezes você já se deparou com alguém, conhecido ou não, roncando em alto e bom som no sofá, na cama ou na poltrona ao lado no ônibus? Engana-se quem pensa que o ronco é sinônimo de um sono relaxante e reparador. Na verdade, o ruído é um aviso do organismo para mostrar que algo não está bem. Quando dormimos, os músculos da garganta relaxam para facilitar a passagem do ar. Se a pessoa ronca significa que esse caminho está obstruído. Isso pode ser ainda mais grave para quem produz o som. O ronco pode evoluir para uma apneia, que é quando a pessoa para de respirar por alguns momentos e pode até morrer. Pesquisas apontam que 1/3 dos paulistanos sofrem de apneia. Os dois problemas prejudicam o desempenho das tarefas cotidianas. Sem receber a quantidade necessária de ar, as noites ficam comprometidas e, dormindo mal, a pessoa fica desanimada, com dificuldade de concentração, e com baixa produtividade. Roncar também é motivo de deboche e constrangimentos. O ronco é considerado uma doença, mas embora muitos não saibam, existe tratamento. E as pessoas têm procurado ajuda. Até as mais jovens. Com cinco anos de funcionamento, a equipe do Centro Odontológico de Distúrbios do Sono de Franca notou uma mudança no perfil dos pacientes. Antes recebia idosos, acima dos 60 anos, hoje a faixa etária mais comum tem sido entre os 26 e 45 anos. A procura é alta. Por semana, a clínica encaminha de 20 a 25 pessoas para exames. A maioria é homem. Segundo a literatura médica, entre eles, um em cada seis ronca. "As pessoas mais velhas nos procuravam com medo de pararem de respirar e morrer. Hoje os mais jovens querem se cuidar. Vivemos um momento de muito estresse e as pessoas estão sendo motivadas a encontrar caminhos para melhorar a qualidade de vida", disse Edna Maura, especialista em ortodontia. Uma das alternativas para tratar ronco e apneia é um aparelho feito em acrílico, no formato da boca, chamado dispositivo intra-oral. O objeto é feito sob medida e usado na hora de dormir. A função dele é "mover" - gradativamente - a mandíbula para frente, juntamente com a língua, para liberar a passagem do ar na garganta e evitar o ronco e apneia. "O dispositivo é como o óculos. O ronco começa com ruídos mais leves, mas depois isso vai intensificando e depois chegam as apneias", explicou. O sucesso do tratamento depende de um diagnóstico criterioso. Os pacientes passam por uma bateria de avaliação, feita por equipe multiprofissional, formada por otorrino, neurologista, entre outros. Os "roncadores" terão de utilizar um aparelho que custa entre R$ 600 e R$ 1 mil, dependendo do modelo e materiais usados. A ortodentista Edna Maura aconselha todas as pessoas que roncam, por mais suave que seja o ruído, a procurar ajuda. Existem outros tratamentos, como cirurgias para modificar a postura da mandíbula, mas esse procedimento é mais traumático. Exercícios orientados por fonoaudiólogos podem contribuir com a redução dos problemas.

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