Amor tem explicação?


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<b>DIA DOS NAMORADOS</B> - O céu francano fica ainda mais bonito, escurece mais cedo, no azul-marinho do firmamento as estrelas parecem brilhar muito mais. Fico romântica e me ponho a pensar no amor.
<b>DIA DOS NAMORADOS</B> - O céu francano fica ainda mais bonito, escurece mais cedo, no azul-marinho do firmamento as estrelas parecem brilhar muito mais. Fico romântica e me ponho a pensar no amor.
Junho: mês de comemorações, de frio, de pneumonias, gripes, fogueiras, mês do amor. O céu francano fica ainda mais bonito, escurece mais cedo, no azul-marinho do firmamento as estrelas parecem brilhar muito mais. Fico romântica e me ponho a pensar no amor. Sem dúvida, influência do dia dos Namorados. A explicação do amor desafia teses, tratados, preceitos, compêndios, discussões, interpretações, senso comum, ciências exatas e a Lógica. Principalmente a Lógica. Não há argumentos, pensamentos ou ideias coerentes que expliquem a razão pela qual duas pessoas se olham, no olhar se reconhecem; no reconhecimento se entendem, no entendimento se completam; na completude conseguem viver juntas e no viver juntas se dão as mãos e riem das mesmas coisas. Se ficam tristes sabem se consolar; no processo do mútuo consolo são capazes de entender. E, na mais discreta manifestação de um gesto externo ou numa sutil desafinada da melodia da linguagem, conseguem saber exatamente o que vai pela alma do outro. A mágica de simples carinho, como um afago de mão, pode desencadear nos que estão amando um turbilhão de reações sucessivas, evidentes sinais de amor: pousar a cabeça no ombro do outro e fechar os olhos; inspirar profundamente ao encostarem-se as testas; darem-se um abraço e permanecer unidos fisicamente por alguns segundos como se fosse para sempre... Tudo isso sem um som, sem uma palavra. A trilha sonora do amor é o suspiro. Em tom maior, ou menor. O amor não faz sentido. Embora seja mais entendível existir entre compatíveis, tem gordo que ama magro; magro que ama gordo. Tem feio alucinado pelo bonito. Bonito desesperado pelo feio. Inteligente babado pelo medíocre. Medíocre enrabichado pelo mente brilhante. Velhuscos de ambos os sexos apaixonados por garotinhas e garotões há por toda parte, desafiando preconceitos e alfinetadas. Céu bonito, fogueira acesa dentro do meu coração, busco casais apaixonados anônimos e célebres - de carne e osso ou só espírito - que habitam e convivem nos limites do meu ideário romântico. Relacionamentos apimentados ou pacíficos; públicos ou discretos, aparentemente simples ou aparentemente complicados, mas referências para a inglória tentativa de definir ou compreender o sentimento. Surgem, entre tantos outros, Zeus e Hera. Cinderela e o Príncipe (uma curiosidade: qual o nome dele mesmo?). Dona Nenê e Dr. Baldijão. Catherine Zeta-Jones e Michael Douglas. Frida Kahlo e Diego Rivera. São José e Maria. Elizabeth Taylor e Richard Burton. Cleópatra e Marco Antônio. Tia Elvira e Lourdes. Angelina Jolie e Brad Pitt. Mr. e Mrs. Smith. Glória Menezes e Tarcísio Meira. John Lennon e Yoko Ono. Filomena e Conrado. Rainha Victoria e Príncipe Albert. Tio Cláudio e dona Aparecida. Joaquim e Matheus. Oscar Wilde e lorde Alfred Douglas. Sarkozy e Carla Bruni. Freud explicaria essas associações... Rosa Montero afirmaria que esse negócio de definir amor é “questão vulgar, um clichê, um lugar-comum”. Cauby Peixoto cantaria que o “amor é uma pérola rara”. Roberto Carlos, que é “uma brasa, mora!”. Camões interromperia qualquer discussão, pontuando: “amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer”... Não sei como começa, não sei quando termina. Não tenho ideia do quanto pesa, o quanto mede. Acho que amor perfeito é só nome de flor. Não sei se o seu é igual ao meu, ou vice-versa. Mas concordo com a sabedoria do caminhoneiro, a referendar os casais da minha lembrança: “quando o amor floresce, a razão emurchece; quando o amor viceja, o juízo fenece". <b>MEMÓRIA CURTA </b> Há anos dois empresários discutiam – sou testemunha –, sobre um selo que deveria ser colocado em todas as caixas, de todas as fábricas de sapatos da cidade. (Tempo de pujança, quase todo francano era sapateiro). A frase escolhida “É melhor, é de Franca” me fez brava, achei meio cabotino, muito presunçoso fazer tal afirmação. Um daqueles empresários, que vai me matar quando ler isso, criou seu próprio selo e usa, até hoje e desde então, um “Orgulhosamente produzido em Franca”. A atitude recente de valorizar nossos sapatos foi apresentada numa reunião concorrida, como “ideia inovadora e sem precedentes”. Não é não... <b>FINAL</b> Dos casais citados, José e Maria formam uma dupla maravilhosa. Se for verdadeira a história relatada pela Bíblia, ele poderia ser considerado o primeiro feminista assumido da história. Não é preciso questionar o motivo pelo qual depois do casamento Maria se conserva virgem. Ela engravida, diz que é do “Espírito Santo”, ele acredita, aceita, cria o Menino como se fosse dele, permanece ao lado dela. E, juntos, têm outros filhos, depois do mais famoso. <b>Lúcia Helena Maniglia Brigagão</b> <i>Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras</i> luciahelena@comerciodafranca.com.br

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