Transitar por algumas calçadas em Franca se tornou um desafio. As dificuldades de circulação têm gerado muitas reclamações. O lugar destinado à passagem segura dos pedestres às vezes é inexistente ou se encontra intransitável. Numa rápida volta pela cidade é possível flagrar calçadas obstruídas, tanto em regiões periféricas como no Centro.
Os obstáculos vão de materiais infláveis a pisos danificados pelas raízes das árvores. O Ministério Público e a Prefeitura prometem notificar os proprietários de imóveis para que eles adequem as calçadas.
Um dos endereços mais críticos fica na Vila Aparecida. Na calçada de uma fábrica, cujo prédio ocupa o quarteirão inteiro, estão plantadas 24 árvores e 11 delas estão com as raízes "estufadas". Ainda existem cinco tocos de árvores que foram cortadas. O lado mais problemático fica na Rua Minas Gerais.
Além do piso danificado, os moradores do bairro e outros pedestres são obrigados a conviver com a falta de iluminação e o excesso de sujeira depositada pelas pessoas no local. "Isso aqui está uma vergonha. Jogam de tudo ali: caixas, restos de frango, animais mortos e até televisão", disse Terezinha Silva, 65, que mora em uma casa em frente à calçada.
A moradora foi vítima das "armadilhas" recentemente. Há 15 dias tropeçou, caiu e machucou os dois pés. "Eu tropecei no piso que a raiz da árvore arrebentou. Na hora senti muita tontura", afirmou Teresinha, que não foi a única a se machucar. Segundo ela, alunos da Sociedade dos Cegos, que fica nas proximidades, passam pela calçada e já sofreram quedas.
A sapateira aposentada Márcia Fagundes, 51, que mora no Jardim Brasilândia, quase caiu no local. O tropeço foi tão feio que ela teve quebrado o salto de uma sandália. Depois disso ficou com medo de passar pela calçada e prefere se arriscar na movimentada Rua Minas Gerais. "É ridículo. Tem que arrancar esse piso e fazer tudo de novo", reclamou.
Na segunda-feira, ao ser entrevistado pelo Comércio, o diretor da fábrica, Carlos Brigagão, disse que está instalado naquele endereço desde 1968 e nunca recebeu reclamações, mas se dispôs a resolver o problema. "Solicitamos apoio da Prefeitura, que já está cortando as árvores mais problemáticas. Quando terminarem esse serviço, vamos avaliar se há necessidade de refazer o piso", disse Brigagão.
<B>OUTROS LOCAIS</B>
A Vila Aparecida não é a única com problemas. Na Avenida Sete de Setembro, em frente ao Teatro Municipal, a calçada é quase intransitável. As pedras se soltaram, formando três buracos. Um deles tem dois metros de diâmetro. Além dos estragos, o espaço está repleto de formigueiros.
Na mesma região, no Jardim América, ninguém passa na calçada no cruzamento das Ruas Lázaro Campos e Felisbino de Lima. Na mesma esquina há um poste de energia e uma árvore. A alternativa é contornar os obstáculos passando pela rua, em meio ao trânsito.
Em uma das vias mais movimentadas da cidade, a Avenida Brasil, uma situação absurda: uma loja ocupava quase toda a calçada com um latão de tinta inflável para fazer propaganda. O objeto ocupava a calçada e a rua.
A reportagem questionou, na última segunda, o chefe do setor de Fiscalização da Prefeitura, Ismael Xavier, sobre a legalidade da prática. Ele disse que é proibida e o material deveria ser retirado de imediato. No dia seguinte, o objeto foi removido, mas Ismael não soube informar se foi determinação do fiscal responsável por aquele setor da cidade ou iniciativa dos responsáveis pela loja. Xavier prometeu apertar o cerco na fiscalização (leia mais no apoio).
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