Desde o início de 2009, antes mesmo do semestre terminar, mais de 820 alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos), antigo ensino supletivo, abandonaram os estudos. Segundo a Secretaria de Educação de Franca, três em cada dez matriculados desistem das aulas no meio do caminho. Neste ano, 3.068 pessoas se inscreveram no programa. Até maio, 27% já haviam deixado as salas de aula. Em 2008 dos 3.200 participantes, 39% não concluíram os estudos. A evasão é resultado da dificuldade que os estudantes encontram em conciliarem a rotina de trabalho com a escola.
A chefe do Setor de Educação de Jovens e Adultos da Prefeitura, Célia Tavares, considera a taxa alta, mas diz que está dentro da média. “É relativamente alta, mas, no contexto da educação de jovens e adultos, é esperada. Isso não ocorre só em Franca. Aos poucos, o índice está sendo amenizado”.
Os estudantes do EJA são empregados da indústria, comércio e zona rural na região. A dificuldade em trabalhar e estudar no período noturno é o principal motivo das desistências. Do total de matriculados, quase metade (47%) é mulher. Além dos estudos, elas precisam administrar o emprego, cuidados com a casa e os filhos. “Menos de 10% são donas de casa. A grande maioria trabalha fora. Nem sempre elas e os outros alunos organizam a rotina de estudo, acabam apresentando baixo desempenho nas avaliações e ficam desmotivados a prosseguir”. Como na rede regular, o EJA obriga que tenham 75% de presença. As escolas fazem controle diário da frequência.
A coordenação do EJA procura incentivar os estudantes a não interromperem os estudos. São montados projetos para conscientizá-los sobre a necessidade de ter escolaridade. “Hoje a sociedade exige maior conhecimento para competir no mercado. Tentamos mostrar que é um sacrifício necessário”. Os alunos costumam retornar para o EJA.
O grupo que frequenta as aulas é bastante heterogêneo. Segundo Célia, são pessoas vindas de todos os bairros. A faixa etária do público é entre 15 e 80 anos, mas a mais comum é dos 20 aos 40. A grande maioria trabalha. “São alunos que não querem só certificação para se manterem empregados, mas que sonham concluir o ensino médio e chegar à universidade”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.