Especialista, dono de empresa em Franca, comenta acidente com airbus


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O especialista em engenharia aeronáutica James Rojas Waterhouse, professor dessa disciplina na USP de São Carlos, é engenheiro aeronáutico desde 1995. Natural da região de Sorocaba, possui uma empresa em Franca. É sócio-proprietário da Aeroálcool, que desenvolve e fabrica aviões movidos a álcool. Ontem à noite, em entrevista por telefone, ele comentou o acidente com o Airbus A330. Como outros especialistas acredita que houve falha estrutural da aeronave durante a tempestade. Para ele, as chances de haver sobreviventes é remotíssima. <b>Comércio da Franca</b> - Como o senhor avalia as condições do acidente com o airbus A 330? <b>James Waterhouse</b> - As condições meteorológicas, que são as que podemos avaliar até o momento, eram bastante ruins. As fotografias de satélite a que tive acesso mostravam formações meteorológicas muito pesadas na região e isso pode ter contribuído de forma decisiva para o acidente. O resto não temos como avaliar: a situação de manutenção do avião, dos pilotos e outras coisas do tipo. <b>Comércio</b> - Raios poderiam derrubar a aeronave? <b>James</b> - É muito difícil um raio causar uma acidente dessa magnitude porque os aviões são projetados e exaustivamente testados para suportar raios de grandes proporções porque raios são muito comuns, a toda hora os aviões estão passando ao lado de tempestades e levando raios. <b>Comércio</b> - Que suposições o senhor levanta sobre o acidente? <b>James</b> - São milhares. A mais provável e na qual estamos focados no momento é a falha estrutural do avião em função da tempestade, quer dizer, esforços de grande magnitude acima do que foi projetado para suportar. Eventualmente o piloto entrou numa tempestade muito maior que a imaginada e ocorreu o problema. Outras hipóteses, de probabilidade menor, é a existência de uma carga solta no porão alterando o centro gravidade no avião; alguma coisa na bagagem que tenha entrado em ebulição ou, por exemplo, um vazamento de combustível seguido de um raio. Um raio não é suficiente para explodir um tanque, mas um vazamento associado a um raio o é. Eventualmente até um choque com um balão meteorológico pode ser, mas isso é de baixa probabilidade. Não é possível saber. Só sabemos que a aeronave teve pressurização e pequenos destroços foram encontrados na água. Mas não sabemos se explodiu, se o avião fez um voo planado controlado até a água. <b>Comércio</b> - Pode ter havido falha humana? <b>James</b> - Se houve falha humana eventualmente tenha sido ao avaliar a tempestade, mas obviamente o julgamento foi feito pela equipe, em conjunto. Pode ter havido um erro de avaliação ou outras condições que cooperaram com isso. Todos podem ter julgado que o tempo não seria tão severo. Uma das hipóteses é um erro de avaliação nessa hora. <b>Comércio</b> - A caixa preta poderá desvendar o que aconteceu? <b>James</b> - O problema maior é encontrar a caixa-preta. É muito difícil encontrá-la a quatro mil metros de profundidade. O desafio maior agora é encontrar. Se encontrada, facilmente o problema estará elucidado. <b>Comércio</b> - Que aparatos de segurança são usados nessas aeronaves? <b>James</b> - Os aviões todos são projetados para enfrentar grandes turbulências, possuem itens de segurança e também todo sistema de bordo, como por exemplo, sistemas críticos de elétrica e de controle são no mínimo duplicados. Por exemplo, dois motores, vários geradores e vários computadores de controle, tudo para gerar segurança. A única coisa que pode implicar numa falha muito grave é quando toda a estrutura do avião falha, aí não existe outra. <b>Comércio</b> - O senhor acredita que possa haver sobreviventes? <b>James</b> - A esperança é a última que morre. As chances são remotíssimas. Quando há sobreviventes todas as balsas são equipadas com localizador de emergência e elas também são grandes e coloridas (laranjas), o que permite encontrá-las. Ninguém encontrou sinais, ninguém viu ponto maior que pequenos destroços. A possibilidade de sobrevivência é quase nula.

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