A ocasião faz o ladrão


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Nos últimos anos, muitos escândalos têm sido identificados no seio da administração pública. Isso tem servido para que setores mais conservadores da sociedade critiquem a democracia, que hoje é plena. Mas, convenhamos, não devemos tributar à democracia essas práticas ilegais, até nojentas. Talvez seja a democracia a saudável facilitadora da divulgação desses fatos antissociais que, num regime mais fechado, não chegam à imprensa, mas também existem. Logo, o que se deve contestar e eliminar é a prática, não o regime. Ladrão e aproveitador existem sob qualquer situação político-ideológica. No Brasil de hoje, ninguém, em sã consciência, pode reclamar de falta de liberdade. Há quem diga que existe até liberdade demais, com o que não concordamos. Precisamos apenas estar treinados para bem utilizar essa liberdade. Na verdade, o que se identifica é a maldita impunidade, a seiva que alimenta e fortalece a corrupção. Mesmo tendo conhecimento das falcatruas que lesam o interesse público, a população não vê a punição dos falcatrueiros. Banqueiros quebram, dão prejuízos a milhares de pessoas e ainda continuam vivendo bem, sem serem incomodados. Agentes públicos são surpreendidos roubando e nada lhes acontece. Outros fraudam a Previdência e demais setores públicos e não são obrigados a devolver o que roubaram, e assim por diante. Por falta de leis específicas e das brechas da legislação geral, a ausência de punição dos envolvidos leva a população a desacreditar do governo, da justiça e da ordem institucional. Isso é um dano, grave e perigoso. Precisamos aperfeiçoar a sociedade e aceitar a máquina público-administrativa para, logo no indício de irregularidade, em primeiro lugar, fechar as torneiras e evitar que aquele tipo de coisa descoberto continue acontecendo. Feito isso, basta que a partir de então os falcatrueiros sejam denunciados ao Ministério Público e à Justiça para que tudo se resolva. Não haverá necessidade nem de promover os escândalos, ultimamente comuns e sem qualquer resultado positivo para o interesse nacional. Se, ao invés de partir só para o linchamento público dos envolvidos, os responsáveis pela apuração dos casos dos sanguessugas, do dinheiro na cueca, do mensalão, dos correios e de outras porcarias que têm tomado as páginas dos jornais, rádios, sites e TVs, tivessem partido para fechar de imediato as "torneiras", hoje saberíamos, com segurança, que coisas dessa ordem não mais estariam acontecendo. Mas, como apenas se acusou, ninguém tem garantia para dizer que os mesmos esquemas não continuem ocorrendo com outros personagens e em locais diferentes. Essa é a grande dúvida que desacredita o governo e a classe política nacional. Temos de entender que a sociedade carece readquirir a confiança naquele que elege para governá-la. Sem essa respeitabilidade ao homem público, jamais conseguiremos ser um país de primeiro mundo. Pensem nisso! Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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