Trabalho no tom certo


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<b>VIDA DE ARTISTA</B> - Wellington Edvaldo Barbosa, o Tom, 28, é conhecido na noite por tocar sete instrumentos: carreira começou aos sete anos com o próprio pai.
<b>VIDA DE ARTISTA</B> - Wellington Edvaldo Barbosa, o Tom, 28, é conhecido na noite por tocar sete instrumentos: carreira começou aos sete anos com o próprio pai.
- Sou músico. - Ah é? Que legal. Mas você trabalha com que? Qual artista nunca ouviu isso? Acho que todos, pelo menos uma vez em suas vidas, já foram surpreendidos com essa pergunta. O fato aqui é que dá sim para viver de música e muito bem em alguns casos. O segredo não é apenas o talento, mas sim a persistência, a coragem, a humildade, a determinação em seguir em frente, a disposição para trabalhar em qualquer horário e, claro, uma forcinha do destino e da sorte. O músico Wellington Edvaldo Barbosa, o Tom, hoje na Banda Lemon é um bom exemplo deste tipo de profissional. Com 28 anos, ele tem uma longa carreira e toca nada menos que sete instrumentos musicais: violão, baixo, guitarra, bateria, cavaco, teclado e percussão. A maioria ele aprendeu a tocar sozinho. Hoje, ele chega a ganhar até R$ 5 mil por mês com shows e trabalhos em um Home Studio que ele mantém em sua casa. Tom começou a tocar quando ainda era criança. Com sete anos de idade e por influência do pai, que também tinha relação com a música. As primeiras aulas foram com ele, o senhor Reinaldo Barbosa. Já o segundo professor, também da família, foi o irmão, Edmilson. De lá para cá Tom não parou nunca mais de estudar e se aperfeiçoar. Segundo o multi-instrumentista, este é o principal diferencial na carreira de um músico. Tom Jobim, por exemplo, estudou até os 68 anos de idade. Outra influência no aprendizado do francano foi o baixista Flander Veras, ex-Banda Gênese. O artista revela que há nove anos se mudou para São Paulo, onde permaneceu até 2003. Ele foi um dos quatro selecionados entre 600 interessados em estudar na ULM (Universidade Livre de Música), preferida pelos profissionais brasileiros e uma das mais bem quistas pelos intelectuais do gênero. Na instituição, estudou com professores de alto gabarito, como o maestro Marquetti e Itamar Collaço, baixista da Banda Zimbo Trio. Ainda na capital, como músico acompanhou Sebastian (da propaganda da loja C&A), Marcelinho, do grupo Sem Compromisso, Márcio, do Desejos, além do Art Popular, além de participar de gravações com Os Travessos e Bro`z. De volta a Franca, Tom procurou e sedimentou seu espaço. Hoje faz cerca de 20 shows por mês com a Banda Lemon, na qual tem como parceiros os músicos Boi (Marciel) e Érico. Eles estão acostumados a tocar em cidades como Franca, São José do Rio Preto, Bebedouro, São Sebastião do Paraíso, Tambaú, São José do Rio Pardo, José Bonifácio e várias outras. Eles chegam a ganhar até R$1,5 mil por apresentação em bares, casamentos e formaturas. Mas não foi sempre assim. Tom conta que já chegou a tocar por bem menos: R$ 30. Ele já trabalhou em outras áreas também, como fábricas de sapato, zelador e motoboy. Hoje vive da música. Reconhecido pelo trabalho e talento, o profissional dá a dica para quem também sonha chegar lá. "Acho que uma pessoa que quer seguir esta carreira deve primeiro saber ouvir de tudo e nunca criticar nenhum ritmo, pois tudo tem seu valor e todo um trabalho por trás do som", garante. Também deve, claro, estudar e se dedicar muito. "Percepção vem antes de tudo. Primeiro é preciso escolher uma escola legal, com professores qualificados e descobrir se tem mesmo o dom pra coisa, pois não é fácil viver da música", brinca. Tom ainda dá dicas de como alcançar a estabilidade: para adquirir experiência, um músico pode trabalhar como free-lance para bandas e artistas ou gravar em estúdios.

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