Tatuar na pele o nome de alguém, a foto ou mesmo um desenho com significado especial tem sido prática muito mais comum do que se imagina nos estúdios de todo o mundo. A moda que chegou ao Brasil na década de 60 se intensificou nos últimos anos com a adesão de famosos, que escrevem nos próprios corpos, o nome de namorados, mulheres e filhos. Angelina Jolie, por exemplo, têm no braço esquerdo as coordenadas geográficas dos países onde nasceram as crianças que adotou.
No Brasil, alguns "casos" ficaram famosos, como o da modelo e dançarina Viviane Araújo e do então namorado, Belo; que tatuaram o nome um do outro nos braços. O cantor Latino fez o rosto da ex-mulher Kelly Key. As atrizes Alessandra Negrini e Karina Bacchi também homenagearam seus namorados. A semelhança entre eles é que os relacionamentos terminaram, enquanto que a tatuagem é para sempre. Em todos esses casos os tatuados deram um jeito de sumir com a declaração de amor depois que ela acabou.
Em Franca as pessoas parecem não ligar para o "pequeno" detalhe de que muitas vezes o amor acaba. Segundo alguns profissionais consultados, este tipo de tatuagem representa 15% do total. Os custos, ninguém revela, mas os entrevistados para esta matéria investiram mais de R$ 50 nos trabalhos.
O tatuador João, do Joãozinho Tattoo e Piercing, diz que após mais de 40 anos da chegada da tatuagem moderna no Brasil, somente há dez anos é que as pessoas passaram a enxergá-la como arte e com menos preconceito. A teoria pode ter ajudado a popularizá-las. Joãozinho é tatuador há 22 anos e já morou na Europa por um ano e dois meses trabalhando no ramo.
Sobre as pessoas que homenageiam outras com desenhos no corpo ele também enxerga como arte e não vê problemas. "Muitas pessoas que querem deixar marcados nomes ou rostos de pessoas que amam me procuram. Geralmente querem homenagear alguém com quem já têm uma certa ligação espiritual".
Ele conta que algumas pessoas que escrevem o nome dos amores no corpo acabam voltando quando o relacionamento termina. A saída é desenhar alguma coisa por cima. De qualquer forma, hoje existem técnicas para apagar tatuagens, como laser, ou mesmo fazer outro desenho por cima, o que é mais barato na maioria das vezes.
Os que se interessam pelo assunto deixam na pele marcas com nomes dos filhos e pais e justificam a escolha dizendo que este amor é o único que com certeza será eterno. Este não é o caso do dançarino Marcelo Faciroli Ferreira, de 26 anos, da Banda Circuito Brasil. Ele não teve medo de eternizar seu amor pela mulher, a também dançarina, Débora Chináglia Faciroli. Marcelo foi ao estúdio para tatuar uma fênix nas costas e chegou em casa com uma surpresa para a mulher: além da fênix escreveu no abdome o apelido da amada: Dé. O que ela achou disso? Adorou a surpresa.
Débora quer agora devolver a gentileza ao maridão. Já resolveu que vai enfrentar o medo das agulhas para também escrever o nome dele no corpo. O casal não tem medo de arriscar. Eles acreditam no amor eterno entre os dois e mesmo se um dia por infortúnio do destino chegarem a se separar juram não apagar a homenagem. "Acredito que nossa história era mesmo para acontecer. Tínhamos que nos encontrar. Nos amamos e queremos ter o nome um do outro tatuado no corpo. Agora está no coração e na pele", brinca Marcelo.
Rúbia Mello Silva, de 22 anos, também não teve medo de ousar. Escreveu na nuca a frase "Caubi amor eterno", para o namorado de quatro anos. Rúbia fez uma surpresa para o amado há dois anos quando apareceu com a inscrição no corpo. "Ele quase não acreditou. Ficou superfeliz". Mas a aprovação não foi unânime, muitas pessoas disseram que era loucura e que ninguém no mundo merecia tanto, mas, ela não ligou. "Se algum dia largarmos não me arrependerei nunca de ter feito a tatuagem, pois realmente fiz por amor", explicou.
SEMPRE GOSTEI
Hilda Maria Silva Ferreira tem 43 anos e sempre gostou de tatuagens. Em outubro do ano passado tomou coragem para fazer a primeira. Em sete meses já tem 26 desenhos no corpo todo. A preferida é uma declaração de amor à filha Sara. Ao longo de um dos braços escreveu o nome da menina seguido da frase "Razão do meu viver". Hilda é casada, mas não pensa em tatuar o nome do marido, como fez com a filha. "Ele adora minhas tatuagens, mas por enquanto não penso em escrever o seu nome. Minha próxima tatuagem será uma cobra na perna", contou.
Lucas Mariano tem 27 anos, é noivo e também homenageou o filho.Tatuou no braço direito o nome do filho, Cauê. O "C" do nome é o rabo de uma carpa, que significa prosperidade. "Foi isso que ele trouxe para minha vida. Amor e prosperidade", disse. Lucas vai desenhar no corpo dois corações com o nome dos pais em breve. Ele também pensa em tatuar o nome da noiva.
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