Insegurança


| Tempo de leitura: 3 min
Por que umas pessoas tiram de letra certos desafios e outras fogem deles? Das dificuldades que a gente precisa vencer para alcançar o que deseja, há as externas (inúmeras) e as da esfera íntima. Uma dessas é a insegurança - caracterizada pela falta de confiança em si mesmo, pela dificuldade para tomar decisões. A insegurança é causa ou efeito? Tenho para mim que é efeito. De forma geral, inseguro, frágil é aquilo que foi mal construído. O prédio mal edificado, de estrutura defeituosa, desaba por não suportar o próprio peso ou por outras causas. O ser humano também se constrói. A estrutura emocional da pessoa forma-se e fortalece. Mas isso não ocorre de um dia para o outro. Leva tempo pois exige luta contínua e incessante contra as adversidades que vão surgindo. É no esforço pessoal e no empenho que se adquire força interior e segurança. As pessoas inseguras, em regra, sentem-se incapazes de vencer certas batalhas, subestimam-se. Os pais têm grande influência na formação da personalidade dos filhos. Estes serão pessoas seguras se aqueles lhes derem a oportunidade de caminhar com as próprias pernas, ensinar-lhes a lutar pelo que querem, conscientizá-los de que o importante da conquista é o mérito. A missão dos pais é preparar os filhos para a vida em vez de querer ser seus eternos guarda-costas. Dia chega em que os rebentos têm de cuidar de si, veem-se com o leme da própria vida nas mãos; os pais não são eternos. A questão é que, com medo de expor os filhos, muitos pais os cercam com superproteção. Isso gera pessoas dependentes, incapazes de enfrentar sozinhas as dificuldades. A pessoa insegura tem como marca a falta de empenho em raciocinar, em ir mais a fundo nas suas buscas, em tentar encontrar dentro de si mesmo as soluções ou as respostas. É mais fácil buscá-las prontas no saber alheio. A insegurança anda de mãos dadas com a superficialidade. Na vida, porém, há situações e mais situações em que a pessoa só se safa se tiver conteúdo. Enfrentar os próprios problemas, ao invés de deixá-los a cargo de outras pessoas, é a maneira de qualificar-se e afastar a insegurança. Quem é seguro de si não se deixa dominar por pensamentos autodestrutivos, é menos propenso à depressão, ao desânimo, ao estresse e a outros males atuais. A insegurança pode revelar-se tanto na falta quanto no excesso. A diferença é que às vezes ela se escancara, como no caso de quem fica inerte quando devia se mover, a ponto de despertar a comiseração alheia, e às vezes se esconde atrás da arrogância. São os extremos. A virtude, porém, está no meio. Quem é seguro de si não se vale da boçalidade para expressar suas convicções; tampouco se faz de coitado para conseguir as coisas. A segurança manifesta-se na soma de conhecimento, serenidade, respeito, responsabilidade. A pessoa bem estruturada emocionalmente consegue atingir seus objetivos pelas próprias qualidades, sem prejudicar ninguém. Quem se sente inseguro pode mudar se se conscientizar de que não é melhor nem pior do que os outros, que é capaz de aprender e melhorar a própria vida. É uma questão de atitude. É fazer o que deve ser feito, sem excessiva preocupação com a opinião alheia, com a imagem perante os outros, sem alimentar medo de coisas improváveis. É levantar a cabeça, abrir os olhos, ver e sentir o brilho do mundo, ampliar horizontes, desbravar, descortinar, criar, fazer a diferença. Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro ‘Pensando na Vida` – paulopereiracosta@uol.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários