Falta de verba pode tirar atleta de competição


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CRISE NO ATLETISMO - Jeferson Nascimento, 24, realiza treino na pista do Póli: mesmo com índice para a prova do salto em distância do Troféu Brasil de Atletismo, francano pode ficar fora após não conseguir reunir R
CRISE NO ATLETISMO - Jeferson Nascimento, 24, realiza treino na pista do Póli: mesmo com índice para a prova do salto em distância do Troféu Brasil de Atletismo, francano pode ficar fora após não conseguir reunir R
Todos os dias, Jeferson da Silva Nascimento, 24, acorda por volta das 5 horas da manhã. Desperta cedo assim porque logo às 7 horas ele dá aula de atletismo, três vezes por semana, para a equipe francana de Pessoas com Deficiência no Poliesportivo. Isso após pedalar 12 quilômetros do Parque do Horto ao Complexo Poliesportivo. Nos dias restantes ele viaja a Patrocínio Paulista onde trabalha com crianças. À cidade vizinha, vai de ônibus no começo do dia e só retorna às 20 horas. A rotina é sacrificante e em troca ganha R$ 380 por mês, pagos pela Prefeitura de Patrocínio Paulista (de Franca ele não recebe). Além disso, consegue condições mínimas para treinar para a prova do salto em distância. Nas poucas competições que conseguiu disputar neste ano, obteve a marca de 7,17 m em preliminar realizada antes do Troféu Del Grande, em São Paulo, no mês de abril. O salto lhe deu índice para disputar o Troféu Brasil, cujo índice era 7,15m, principal competição de atletismo do País. Mesmo assim não garantiu sua participação. Com a crise do atletismo na cidade, a equipe francana não conseguiu levantar em torno de R$ 500, total necessário para Jeferson da Silva participar da 2ª etapa do Troféu Brasil no Estádio Engenhão, no Rio de Janeiro, entre 4 e 7 de junho próximos. O time da cidade é mantido pela Prefeitura. O período de inscrição para o Brasileiro de atletismo terminou e mesmo correndo atrás de apoio, Jeferson não reunir os recursos necessários. "Sempre saltei na vontade. Estou sem treinador e quem me ajuda nos treinos são alguns alunos, como o Wellignton (arremessador de peso e técnico de atletas da categoria de base", explicou Jeferson. Mesmo com essas dificuldades, o saltador atingiu uma marca que poderia colocá-lo entre os três melhores no ranking da Confederação Brasileira de Atletismo. Como esta foi a primeira prova que Jeferson disputou neste ano, a tendência é que ainda melhore seu índice. Isto é o que o deixa feliz. "Ano passado tive 6,70 m no primeiro salto do ano e nos Jogos Abertos (em novembro) cheguei a 7,53 m. Apesar dos problemas, sinto que este ano vai ser muito bom para mim", completou. [FOTO2] NEM TUDO ESTÁ PERDIDO Apesar do término do período de inscrição para a 2ª etapa do Troféu Brasil, o saltador ainda tem mais uma chance de participar da competição. No congresso técnico, um dia antes do início das provas, ele precisa apresentar seu índice e pleitear uma vaga como atleta convidado. A chance de competir no Engenhão, estádio construído para o Pan-Americano do Rio de Janeiro, pode também abrir portas para Jeferson. Os principais saltadores e seus técnicos estarão nos bastidores da prova. "Como vou mostrar o que posso fazer treinando só aqui em Franca? Vou tentar o máximo para poder competir. Até mesmo ir de moto, caso consiga regularizar minha carteira de motorista a tempo", prometeu o atleta. Jeferson da Silva está no atletismo há 12 anos, nesse período conseguiu formar-se em educação física e cursou especialização em fisiologia do treinamento. Ano passado, nos Regionais, ele ganhou ouro no 4x100 m e duas pratas no salto triplo e em distância e nos Abertos ficou com a prata no salto em distância. O atleta foi atingido em cheio pela crise instaurada na Associação Francana de Atletismo desde outubro do ano passado, quando começou uma investigação na antiga diretoria sob suspeita de desvio de recursos públicos. Por causa disso, a Prefeitura não repassou a verba de apoio de mais de R$ 100 mil à entidade.

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