O desabrimento da corrupção é o grande mal dos tempos, – todos nós sabemos – no entanto, entre nós, se amplia com velocidade, certamente por impunidade à qual se habituaram seus mais conceituados agentes nas áreas do poder. Absolutamente confiantes estão de nada resultar quanto às ações encetadas em benefício próprio, riscaram de sua conduta os termos temor e vergonha.
André Franco Montoro Filho, em um de seus textos, ao fazer referência aos crimes praticados na república por nossos representantes, outorga que demos através do voto, cunhou acertado pensamento para ser refletido pelos eleitores brasileiros: "o que distingue os países mais desenvolvidos dos demais é que, lá, esses crimes são punidos rapidamente e, muitas vezes, pelos próprios transgressores que, marcados pela vergonha e pela repulsa social, se autopunem, renunciando a seus cargos e algumas vezes até se suicidando".
Espanta-nos a cultura que vem sendo edificada no País, quando se constata que o sucesso nos negócios, no social, no crescimento patrimonial sejam frequentes nas vidas daqueles que praticam ilícitos. Mais ainda, é de lamentar-se a fonte dos exemplos, destacada por cargos e funções cujos requisitos de dignidade jamais poderiam ser dissociados.
A impunidade acorrentada à morosidade do judiciário ao julgar processos, muitas vezes sustenta nos cargos, políticos infratores de dispositivos da lei eleitoral enquanto não se extingui o mandato. Outros, apontados fartamente pela mídia por abuso do poder, falcatruas as mais diversas, comprovadas – até confessas – são reeleitos com votações muito expressivas, impunidade estabelecida pelo eleitor que nem sempre sabe em quem votou ou mesmo exerceu o seu direito de cobrança ao seu candidato.
Não fica inoportuno, tampouco, irresponsável, afirmar-se que vivemos no Brasil da anistia a quem sabe prevaricar ao requinte da arte de enganar, traindo e subtraindo do pequeno núcleo ainda existente da classe laboriosa que paga impostos sem retorno na educação, saúde, transporte.
Os recursos são aplicados nos 300 picaretas definidos por Lula quando a eles pretendia unir-se, – aos quais já se inclui – acrescidos dos 81 do senado. Esse agrupamento ressuscitou do pântano imundo da desfaçatez, o exemplo da miséria humana de Renan Calheiros guindado por prêmio a liderança do governo.
Ao contrário do que muitos asseveram por compadrio e interesse da chusma petista, a CPI da Petrobras não denigre a imagem da empresa internacionalmente reconhecida, orgulho pátrio pelo potencial empresarial do mundo. Precisa isto sim, uma faxina moral que contenha os abusos, intestinos mantidos na usurpação de valores e direitos conquistados no governo militar, assumido pela imposição da falência civil que nos atingira. De que resultaram os esforços de alguns sobre a pirataria da subversão? A transpirada corrida em busca do restabelecimento dos dogmas inspirando a democracia nos mostra agora as mentiras usadas em seu nome.
Nosso lamento de hoje registra as agruras da institucionalização da baderna no poder, onde o sentimento famélico preside o retorno, hoje, bem mais acentuado do processo falimentar. Os fatos mostram uma incidência tão forte na corrosão da moral cabendo uma indagação: teremos saúde, vocação e necessidade de saneamento através de um repeteco de comando fardado para exterminar o frege despudorado da maldita casta?
Garcia Neto
Jornalista
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