Alguém, por favor, me aponte um único político que goste de ser alvo, direta ou indiretamente, de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Alguém me aponte, também, qual CPI já criada em algum canto deste País que, no primeiro momento, sua intenção não tenha sido política.
Digo isso porque é ridículo alguns pseudo-defensores da democracia, de monumentos e de praças criticar jocosamente o governo federal por ser contra a criação, pela oposição, da CPI da Petrobras. É necessário que quem se proponha a escrever sobre política e sobre fatos dessa mesma arte, tenha a sua disposição informações que contribuam para uma crítica mais apurada. Perdemos a credibilidade quando criticamos com parcialidade exasperada.
O que significa a Petrobras? Qual a sua importância para o Brasil e mundo? Para o Brasil ela é o símbolo (junto com a Embraer) do Brasil sério, do Brasil presente e futuro, do Brasil que prova ser possível um país grande, desenvolvido e bem administrado. É a empresa que pretende investir, em cinco anos, US$ 175 bilhões para explorar as jazidas de petróleo encontradas na camada pré-sal do litoral brasileiro, valor que, na sua maior parte, revitalizará setores estratégicos da indústria nacional, em especial, a naval. Portanto, alguém aponte alguma outra empresa brasileira ou estrangeira com tamanha disposição para investir.
No Mundo, a Petrobras é nada menos do que a quarta empresa mais lembrada e respeitada, conforme pesquisa efetuada pelo Reputation Institute (RI) que é uma das mais influentes e respeitadas empresas privadas de assessoria e pesquisa. Está atrás, apenas, das empresas Ferrero (Itália), Ikea (Suécia) e Johnson & Johnson (EUA) e na frente de companhias como Google, Microsoft, 3M, Honda, Philips, General Electric e Walt Disney Co. Portanto, é de preocupar sim, quando os tucanos, pautados pela sucessão presidencial, forçam a criação de uma CPI da maior e mais importante empresa brasileira.
Aliás, como disse em janeiro último o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, “O PSDB não gosta da Petrobras, nem do Brasil”. Em outra entrevista, concedida ao Correio da Cidadania, alerta para a possibilidade de uma nova campanha para difamar a empresa junto ao público e, também, nos relembra “que a gestão do PSDB governando o País foi responsável pela quebra do monopólio do petróleo através da venda de 36% das ações da Petrobras na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real”.
Portanto, quando o Presidente Lula critica a irresponsabilidade do PSDB com essa CPI é porque ele sabe que colocar a empresa no centro de uma investigação, principalmente nesse momento de crise financeira mundial, pode comprometer todo o esforço que está sendo feito na captação de financiamentos para a exploração da área do pré-sal.
Assim, por uma ação irresponsável e eleitoreira, o PSDB pode comprometer a imagem de uma das poucas empresas brasileiras que, verdadeiramente, faz brilhar as cores nacionais. O PSDB, isto sim, não deveria esquecer de uma famosa frase que circula nos bastidores políticos: “CPI, todo mundo sabe como começa, mas nunca como termina”. Seu candidato pode sair respingado.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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