O senso crítico sempre foi a poderosa arma do intelecto humano que proporciona a apuração de fatos com o rigor da lógica, investigando todas as premissas para chegar a determinadas conclusões que apontarão se algo é verdadeiro ou falso, mas nem sempre e quase nunca os resultados dessa prova nos remete ao encontro da tão sonhada paz de espírito que tanto buscamos.
Talvez, o caminho ideal seja mesmo o da estrada do `senso comum`, jeito simplista e coletivo de pensar e assimilar sobre as mais variadas coisas, sem mergulhar e se importar muito. Não é difícil adotar comportamento baseado no `senso comum` pois a passividade – atributo herdado da miscigenação de raças de que somos produto –, quando aflora, ajuda a encontrar o eixo principal que ajusta a mansidão típica do brasileiro com o cotidiano da vida.
No meu tempo de seminarista tínhamos a doutora Zonnel, uma simpática senhora norte-americana naturalizada brasileira, professora de Psicologia Pastoral. Nas suas aulas de pouco mais de 45 minutos nos ensinava algo que considerava um segredinho e que não deixa sobrecarregar demasiadamente os ombros mortais: `não problematizem a vida, simplifiquem-na ao máximo que puderem pois o tempo é curto; não se esqueçam que para complicar a existência humana já existem os filósofos!`.
Aquela experiente mestra talvez tivesse razões para se posicionar assim. Do alto de seus 72 anos transmitia conhecimento que mesclava realidade e sabedoria. E é isso, segundo se sabe, que gera qualidade de vida.
O trivial da boa e saudável existência, para Zonnel, não era nada mais que a convivência conciliadora entre seres humanos se ajudando na construção do pleno e constante desenvolvimento.
Refletir muito sobre os problemas políticos, econômicos e sociais; se o que se diz ou se escreve é mentira ou verdade, pode não ser tão importante quanto se imagina. Viver sem tentar compreender profundamente fatos "complicadores" que protagonizam os acontecimentos da vida, impede a contemplação e não estimula a harmonia pacificadora que livra os frágeis corpos e mentes do sofrimento existencial e ainda, das doenças desencadeadas pelo mau humor da alma.
O senso comum – bastante criticado por detentores de vasto e variado saber – cada vez mais se populariza como válvula de escape para o alívio das tensões e pressões enfrentadas neste mundo competitivo e frívolo das relações interpessoais.
Quem sabe o verdadeiro "segredo" para se viver bem é o de dar uma pitada de ignorância à vida; remédio aliviador de estados nevrálgicos usando-se "senso comum". É a capacidade de poder escolher em "qual mentira acreditar", o que torna mais fácil o cardápio variado da vida. E o melhor: sem maiores desgastes...
Ricardo Gallo Veríssimo
Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde e deste jornal
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